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Olhar Olímpico

Deputado aliado de Bolsonaro chama Secretaria de Esporte de 'casa fantasma'

Demétrio Vecchioli

21/03/2019 04h00

(Crédito: Ricardo Borges/Folhapress)

O deputado federal Luiz Lima, eleito pelo PSL do Rio de Janeiro e apadrinhado pela família Bolsonaro, deixou clara nesta quarta-feira (20) sua insatisfação com os rumos do esporte na gestão do padrinho político. Em sua primeira fala na Comissão de Esporte da Câmara, o ex-nadador olímpico reclamou da inatividade da Secretaria Nacional de Esporte. Disse que o local é uma "casa fantasma".

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"O presidente Bolsonaro é alguém em quem eu acredito, a quem eu admiro muito, mas a gente não tem tido um início de governo maravilho para o esporte. A gente criou um Frankstein", criticou, falando sobre a criação do Ministério da Cidadania. A pasta engloba o que antes eram os ministérios do Esporte, da Cidadania e do Desenvolvimento Social. E também assumiu responsabilidades sobre a política antidrogas, que é a principal bandeira do ministro Osmar Terra (MDB-RS).

"Sou da base do governo, sou do PSL, mas estou extremamente preocupado. A gente está no dia 22 de março (na verdade, no dia 20) e não tem secretário de Alto-Rendimento nomeado, não tem secretário de Esporte e Lazer nomeado, não tem secretário da ABCD nomeado, não tem secretário de Futebol nomeado. Estive ontem (terça) na Secretaria Especial de Esporte e parecia que estava entrando numa casa fantasma. Não tem ninguém", atacou.

Luiz Lima ainda reclamou da falta de autonomia do secretário, o general Marco Aurélio Vieira. "Eu tenho enorme respeito ao ministro Osmar Terra, mas não sei o que está acontecendo. A gente parou no tempo e no espaço. O secretário tem que ter autonomia. Hoje me parece que o secretário nacional de esporte é totalmente subordinado ao ministro. Isso torna as ações na minha opinião até o momento completamente inexistentes. Quero que esse recado chegue à Casa Civil, ao gabinete do presidente", continuou.

Esta é a primeira vez que essas críticas são feitas publicamente, mas elas não são novas. A interlocutores, o general Marco Aurélio vem reclamando há semanas da falta de autonomia na gestão da Secretaria Especial de Esporte, o que não chega a ser novidade. Quando a então equipe de transição anunciou o rebaixamento do que era o Ministério do Esporte, diversas críticas foram feitas apontando que o setor perderia autonomia.

Ainda pesa contra o general o fato de ele não ter sido escolhido para o cargo por Osmar Terra. Quando Olhar Olímpico publicou, em primeira mão, que Marco Aurélio havia sido apontado por Bolsonaro para ser o secretário, por indicação da ala militar, Terra usou as redes sociais para negar a informação. Disse que nenhum nome havia sido apontado por ele. Um mês depois, Marco Aurélio foi oficializado.

Desde que a secretaria foi criada, porém, poucos postos tiveram nomeação. Um dos nomeados, Marcelo Martinelli, secretário adjunto, ficou apenas 20 dias no cargo e foi dispensado não por decisão de Marco Aurélio, mas do ministro Terra. Já Douglas Szefer ficou poucas horas como assessor da ABCD e foi demitido depois que o Olhar Olímpico lembrou que ele havia sido auxiliar pessoal da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na secretaria de Esporte e Lazer, a com maior orçamento, o governo chegou a anunciar a indicação de Carla Testa, esposa de Antônio Flávio Testa, consultor de campanha. Depois, voltou atrás. A demitiu antes de nomeá-la e a trocou pelo ex-atacante Washington (PDT-RS), que foi suplente do então deputado Onyx Lorenzoni (MDB-RS).

Washington, como diversas outras pessoas, já estão trabalhando na secretaria, mesmo sem nomeação. Isso vem gerando incômodo não apenas por parte desses, que trabalham sem receber e sem saber quando receberão, mas também por parte de funcionários de carreira, que reclamam não saber às ordens de quem devem seguir.

Enquanto isso, o governo se cala. O Olhar Olímpico procurou a secretaria na quarta-feira da semana passada (13) com uma série de questões sobre as nomeações. Até a publicação desta reportagem, não havia obtido resposta.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.