Topo
Blog Olhar Olímpico

Blog Olhar Olímpico

Lesão de maratonista tira do Brasil a chance de ter uma tricampeã do Pan

Demétrio Vecchioli

16/07/2019 04h00

Adriana beija medalha de prata em Toronto. Vencedora, peruana foi pega no doping e perdeu o ouro, que foi herdado pela brasileira (Harry How/Getty Images)

Bicampeã da maratona dos Jogos Pan-Americanos, Adriana Aparecida da Silva não vai defender o título em Lima. Aos 37 anos, a recordista brasileira da prova sofreu com lesões durante o período de obtenção de índices e não conseguiu fazer a marca mínima exigida pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

"Eu estava com uma lesão no pé, tratei, mas, na preparação para maratona de Hamburgo (Alemanha), que foi em abril, eu ainda estava sentindo dor. Era a última chance de índice para o Pan. Mas senti o pé com 19 km e depois, no quilômetro 26, senti o quadril. Depois que comecei a pisar diferente por causa da dor, veio a lesão no quadril", conta.

LEIA MAIS:

+ Ingrid é cortada do Mundial por lesão e pode perder o Pan

+ Mayra Aguiar reassume a liderança do ranking mundial após ouro

+ Por que canadense sofreu acidente durante salto no Mundial

Machucada, ela até completou a prova, mas no 24º lugar, com tempo insuficiente para garantir vaga no Pan ou no Mundial de Doha (Qatar). Pior: ela voltou de Hamburgo machucada. "Estou com fratura no quadril e duas leões no pé. Preciso ficar dois meses parada e ainda vamos decidir se preciso fazer o procedimento cirúrgico", explica.

O foco, diz Adriana, é recuperar-se 100% para tentar uma vaga olímpica em Tóquio. "Não posso entrar na maratona como entrei em abril, com lesão, e correr o risco de ter uma lesão mais grave. Nem estou pensando muito em correr uma prova esse ano, mas sim na recuperação", afirma. Como o período de obtenção de índices pela IAAF vai até 20 de maio, ela teria as provas de primavera no hemisfério norte para buscar o índice de 2h29min30.

Aí vem o problema: ela só correu abaixo disso em 2012, quando marcou 2h29min17s em Tóquio. Em toda a história do atletismo brasileiro, essa foi a única exibição de uma mulher abaixo do índice exigido para a próxima Olimpíada.

Adriana Aparecida da Silva comemora vitória em Guadalajara-2011 (Jefferson Bernardes/VIPCOMM)

Indo ou não ao Japão, Adriana encerra a cerreira no ano que vem. "Quando terminaram os Jogos do Rio, eu já sabia que estava indo para meu último ciclo olímpico. Fiz o curso de transição de carreira no COB e venho me preparando para encerar a carreira. Já tenho em mente que não tentaria estender depois da Olimpíada, mas não contava com esse histórico de lesão que aconteceu nesses últimos dois anos", lamenta.

"É muito triste estar lesionada, mas eu estou muito feliz também. Fui para dois Jogos Olímpicos, seu bicampeã pan-americana, recordista brasileira. Claro que quero terminar minha carreira em Tóquio, mas quero fazer isso me divertindo", continua.

Sem Adriana, o Brasil terá outras duas maratonistas tentando o pódio em Lima. Valdilene dos Santos, de 27 anos, e Andreia Hessel, de 35, fizeram nos últimos dois anos os melhores resultados de brasileiras, tirando Adriana, desde 2012. "Elas têm grandes chances de medalha. É legal porque eu treino com elas. É legal saber que as gerações vão passando mas os talentos vão surgindo, para a maratona não estacionar", festeja Adriana, que quer continuar atuando no atletismo após parar de correr.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.