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Por que canadense sofreu acidente durante salto no Mundial

Demétrio Vecchioli

15/07/2019 04h00

O canadense Phillip Gagné é um dos protagonistas do Mundial de Esportes Aquáticos até aqui. Correu o mundo o vídeo de um dos saltos dele na fase eliminatória do trampolim sincronizado de 3 metros. O jovem parece fazer tudo certo, mas dá com o cotovelo no ponta do trampolim. Por sorte, não aconteceu nada com ele, ainda que a dupla tenha desistido da competição.

O Olhar Olímpico, porém, quis entender o que leva a um erro desses e procurou dois especialistas. Um deles, o técnico Ricardo Moreira, que é presidente da Saltos Brasil, federação que a partir de agora será responsável pelo desenvolvimento da modalidade no Brasil. Moreira estava no parque aquático de Gwangju, na Coreia do Sul, e viu o acidente ao vivo.

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"O atleta caiu mal na ponta do trampolim, um pouco desequilibrado. Para conseguir realizar o salto, ele abriu o peito na saída e puxou o salto para dentro do trampolim. Pelo erro, nota-se que ele já não vinha fazendo muito bem nos treinos e já vinha 'se defendendo' do trampolim, por isso ele puxa o salto para o lado, para não bater a cabeça", explica.

O treinador explica que esse grupo de saltos é conhecido como "pontapé à lua". "Nele, um erro técnico pode tornar o salto arriscado, mas o pior é o susto mesmo. Não aconteceu nada grave com o atleta", explicou.

Ian Matos, que representou o Brasil nessa prova nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, também analisou o acidente. "Nesse salto, a gente roda para trás, mas se joga para frente. Então tem que calcular bem a distância. Ele caiu bem no trampolim, na ponta certa, mas em vez de ir para frente, ele ficou no mesmo lugar. Talvez ele tenha se atrapalhado porque o outro atleta errou o movimento de abraço e isso pode tê-lo distraído", avaliou. "Ele (Gagné) sempre passou um pouco perto nesse salto. Um dia isso ia acontecer", complementou.

Ao blog, os dois reforçaram que acidentes assim são raríssimos nos saltos ornamentais. Mais experiente treinador brasileiro, Moreira diz que nunca um atleta seu chocou-se contra o trampolim, nem em treino. Ele estava presente, porém, em outro incidente famoso, de 2012, com o também canadense Alexandre Despatie se lesionou durante uma competição preparatória para a Olimpíada de Londres e chegou a ser hospitalizado.

Outros dois acidentes entraram para a história da modalidade. Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, o norte-americano Greg Louganis bateu a cabeça no trampolim em uma apresentação. Mesmo assim, ganhou o ouro. Mesma sorte não havia tido, em 1983, o soviético Sergei Chalibashvili. Durante a Universíade daquele ano, ele também bateu a cabeça na plataforma e caiu na água já desacordado. Internado, morreu oito dias depois.

Os saltos ornamentais são realizados em três alturas diferentes: 1m, 3m e 10m, sendo que a primeira não é olímpica. Nas duas mais baixas o saltador utiliza um trampolim, flexível, que ajuda na impulsão do salto. Os acidentes com os canadenses e com o norte-americano foram em trampolins. Já a plataforma, a 10 metros da água, é rígida. Normalmente, feita de concreto.

"O trampolim, que se movimenta antes do salto, às vezes causa algum desequilíbrio que pode levar a um acidente. Mas o fato de a plataforma ser rígida e mais alta acaba gerando um cuidado maior do atleta também. Nos treinos, cuidamos muito para que isso não aconteça e na verdade é muito raro acontecer. Às vezes acontece em competições, principalmente as grandes, onde o nível de exigência e de nervosismo é maior e os atletas ficam mais suscetíveis", conta Moreira.

O Brasil por enquanto não faz grande Mundial nos saltos ornamentais. No trampolim 1m, Kawan Figueiredo foi 22º e Luis Felipe Moura o 37º. Ambos são estreantes em competições internacionais adultas desse nível e, juntos, no trampolim sincronizado 3m, terminaram em 21º. Na prova feminina de 1m, Luana Lira ficou em 32º e Danielle Robles na 43ª e última colocação.

Nesta segunda-feira (15), Kawan e Isaac Souza disputaram a final da plataforma sincronizada. Depois de avançarem na 10ª colocação na fase eliminatórias, eles ficaram em 12º e último lugar na final.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.