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Flavinha supera frustração, compete bem e fica em 7º no Mundial

Demétrio Vecchioli

10/10/2019 13h13

Brasileira Flávia Saraiva no Mundial de Ginástica (Ricardo Bufolin/CBG)

Cinco dias depois da grande frustração de ver o Brasil ficar sem vaga olímpica por equipes em Tóquio-2020, Flávia Saraiva fez, nesta quinta-feira (10), a melhor apresentação da sua carreira adulta. Com pouquíssimas falhas, competiu perto do seu melhor e conquistou um histórico sétimo lugar no individual geral do Mundial de Ginástica Artística de Stuttgart (Alemanha). A brasileira ficou a 0,667 do bronze.

Flavinha já está classificada nominalmente à Olimpíada, por ser uma das 20 melhores ginastas do individual geral no Mundial entre aquelas cujas equipes não se classificaram para Tóquio. Como esse critério só classifica uma atleta por país, ela é a única brasileira com lugar no Japão, lista que pode ser ampliada pela Copa do Mundo (o que é bastante improvável) e pelo Campeonato Pan-Americano de maio do ano que vem, quando Rebeca Andrade deve buscar classificação.

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Em toda a história, o Brasil só ganhou uma medalha no individual geral em Mundiais, um bronze em 2007 com a Jade Barbosa, então recém-chegada à categoria adulta, exatamente em Stuttgart. Veterana da equipe hoje, Jade sofreu uma lesão no joelho ao se apresentar no solo nas eliminatórias, sábado, e não conseguiu continuar na competição. Ela terá que passar por cirurgia, mas ainda não voltou ao Brasil. Seguiu na Alemanha para torcer por Flávia, de quem é amiga inseparável.

Flávia volta a competir no domingo (13), quando participa das finais do solo e da trave, a partir das 8h (de Brasília). Ela se classificou com a sétima e com a quarta notas desses aparelhos, respectivamente. Ela é a única brasileira classificada para as finais por aparelhos – entre os homens, Arthur Nory está na final da barra fixa (domingo) e Arthur Zanetti na das argolas (sábado). Amanhã (11), Caio Souza faz a final do individual geral.

Nesta quinta, Flavinha começou sua apresentação na final pelas barras assimétricas, que é seu aparelho mais fraco. Em série regular, conseguiu nota 13,300, melhorando meio ponto o resultado da eliminatória – e também dos Jogos Pan-Americanos. Depois, competiu na trave, seu ponto forte. Recebeu 14,033, na sua melhor apresentação no ciclo olímpico. Mesmo assim, a delegação brasileira recorreu, pedindo por uma revisão da nota para cima, o que não aconteceu.

O terceiro aparelho da brasileira foi o solo, onde fez mais uma série limpa, que valeu 13,933, pouco acima do que costuma fazer. Para fechar a competição, Flavinha foi para o salto, onde não conseguiu uma chegada perfeita. Deu um passo à frente e tirou 14,466, perdendo 0,1 na comparação com a qualificação. Terminou com 55,732.

Ficou atrás da chinesa Tang Xijing (56,899), da russa Melnikova Angelina (56,399), da canadense Black Elsabeth (56.232), da belga Derwael Nina (56,033), da alemã Seitz Elisabeth (55,999) e, claro, de Simone Biles.

Uma das maiores atletas em atividade no mundo, Simone Biles ganhou mais uma medalha de ouro para sua enorme coleção. Campeã também por equipes em Stuttgart, agora ela tem 16 títulos mundiais, sendo cinco no individual geral: 2013, 2014, 2015 e 2018 – ela não competiu em 2017. Ela ainda tem três medalhas de prata e três de bronze, além de quatro ouros e um bronze olímpicos. Na Alemanha, Biles é favoritíssima ao título do solo, da trave e do salto. Nas assimétricas, deve ficar no pódio.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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