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Mundial de Tóquio é teste logístico e de força para o judô brasileiro

Demétrio Vecchioli

24/08/2019 04h19

Preparação para o Mundial de Judô em Tóquio (divulgação/CBJ)

A seleção brasileira começa a disputar o Mundial de Judô neste sábado, em Tóquio, com 11 chances de medalha e cansada de saber que a diferença entre uma medalha de bronze e um quinto lugar pode estar nos detalhes. É por isso que a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) trata a competição como uma oportunidade não só para reafirmar a força do judô brasileiro, depois de um Mundial muito abaixo da crítica ano passado, mas também para testar todas as situações possíveis visando a Olimpíada do ano que vem.

Desde a semana passada, quando a delegação viajou do Brasil ao Japão, cada passo é pensado como se o ano fosse 2020. Seja o treinamento na cidade de Hamamatsu ou o momento da viagem de cada atleta até Tóquio, tudo espelha o que os atletas farão na Olimpíada.

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"A gente está fazendo toda a operação que vamos fazer na Olimpíada. Todos os detalhes estão sendo traçados e estamos corrigindo aquilo que tem necessidade. É um laboratório, com informações muito importantes. Estamos pensando detalhe a detalha para tudo sair perfeito daqui a um ano. Cada detalhe pode se tornar muito importante e se cada área contribuir um pouquinho, vai fazer diferença lá na frente", diz Ney Wilson, gestor responsável pela seleção e por toda a operação olímpica do judô.

Ney, como é conhecido, ressalta que a Olimpíada também é, para todos os atletas (e não só os brasileiros) a oportunidade de vislumbrar como serão os Jogos e criar dentro da cabeça de cada um deles o ambiente olímpico. Por isso, a CBJ levou ao Japão uma equipe para avaliar o desempenho psicológico de cada judoca, entendo a pressão que este sofre e qual sua reação. "Estar no ambiente olímpico vai afetar ele? Tudo isso vai ser avaliado em busca dessas respostas", explica.

Depois de uma campanha relativamente ruim no Pan, quando falhou no intuito de ganhar medalhas em todas as categorias, o judô brasileiro chega ao Japão com uma possibilidade "muito maior" de melhorar do que de igualar ou piorar na comparação com a campanha de 2018. Em Baku (Azerbaijão), só Erika Miranda foi ao pódio, com um bronze, e na volta ao Brasil ela se aposentou.

"Se for olhar o que foi o começo do ano de 2019 a gente vê que teve um desempenho melhor do que no começo de 2017 ou de 2018. Isso gera uma confiança maior", avalia Ney Wilson. Por um pacto com os atletas, a CBJ não estipulou meta de medalhas, o que acaba por pressioná-los. Mas a meta é a equipe evoluindo, não só no número de medalhas, também de participações no bloco "da tarde", para o qual avançam os oito melhores da categoria.

Ney não se esquiva de apontar que onze atletas brasileiros chegam ao Mundial em boas condições de atingir o bloco final, disputando medalhas: Felipe Kitadai (60kg), Eric Takabatake (60kg), Daniel Cargnin (66kg), Larissa Pimenta (52kg), Rafaela Silva (57kg), Maria Portela (70kg), Mayra Aguiar (78kg) e os pesados Rafael Silva, David Moura, Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza.

Isso não significa, nem de longe, que o Brasil vá ganhar 11 medalhas. "Se você quer ganhar de três a quatro medalhas, você tem que ter 10 candidatos. A conta é essa. Você não pode achar que se tem 11 candidatos, vai ganhar 11 medalhas", explica Ney Wilson, que não descarta surpresas.

"Sempre tem alguns atletas que vão começando bem, ganha a primeira, ganha a segunda e vai crescendo na competição. Em um torneio longo existe uma possibilidade grande de tropeço, mas também tem a chance de ele ir indo e chegar no bloco final". Por conta do alto número de atletas inscritos, em algumas categorias deverão ser necessárias até sete lutas para se chegar à medalha.

As primeiras lutas do Mundial acontecem às 23h de Brasília deste sábado, com as finais a partir das 7h de domingo. Serão disputadas uma categoria masculina e uma feminina por dia até o dia 31 de agosto, sábado. Depois, no domingo, 1, acontece a competição por equipes mistas, que agora é olímpica.

O Brasil tem 16 atletas inscritos, com desfalque apenas de Nathalia Brígida, que lesionou as costas. Por isso o país não tem representantes na categoria até 48kg. Em outras três, entre as femininas, terá duas atletas. No masculino a CBJ não convocou ninguém na categoria até 73kg, compensando em outras três, inclusive o ligeiro (até 60kg), que abre a competição com Kitadai e Takabatake.

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.