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Queniana é pega no doping na Maratona de SP e leva suspensão de 8 anos

Demétrio Vecchioli

18/07/2019 12h53

Biwott completa a Maratona de São Paulo em segundo (divulgação/Yescom)

Segunda colocada na Maratona de São Paulo, a queniana Salome Jerono Biwott foi flagrada em exame antidoping realizado ao fim da prova. Nesta quinta-feira (18), a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU), braço de combate ao doping da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), anunciou uma suspensão de oito anos à africana.

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A Maratona de São Paulo é a única maratona brasileira com selo da IAAF, tendo estreado esse status na prova deste ano, realizada em 7 de abril. Por isso o controle antidoping foi realizado pela AIU, que mandou os exames para o laboratório do Rio de Janeiro.

O resultado saiu em 24 de maio, apontando a presença de norandrosterona, metabólito detectável da nandrolona, ​​um esteroide anabolizante. Notificada em 5 de junho de sua suspensão provisória, a queniana confirmou que recebeu uma injeção com essa substância proibida duas semanas antes da corrida e nem pediu a abertura da contraprova.

Denunciada não só pela presença de substância proibida em seu organismo, mas também pelo uso dessa substância, ela recebeu a oferta de admitir as violações e aceitar uma suspensão de oito anos. Biwott não respondeu à carta no prazo especificado, o que fez a AIU aplicar essa pena. Aos 36 anos, a queniana deve encerrar a carreira. 

A prova feminina da Maratona de São Paulo foi vencida por Sifan Melaku Demise, da Etiópia. Todas as sete primeiras foram etíopes ou quenianas. A melhor brasileira, em oitavo, fez tempo acima de três horas, chegando mais de 25 minutos depois da campeã.

O atletismo do Quênia está com sua credibilidade cada vez mais à prova, em momento semelhante ao vivido pela Rússia antes da suspensão que passou a impedir atletas russos de competirem. Há algum tempo o país queniano está na "lista de observação" da IAAF, a um passo de sofrer uma sanção pelos seguidos casos de doping.

Nos últimos meses, a lista de atletas suspensos cresceu exponencialmente, com a inclusão de nomes de peso, com destaque para a campeã olímpica da maratona, Jemima Sumgong. Samuel Kalalei (campeão da Maratona de Atenas), Lucy Kabuu (campeão em Milão), Asbel Kiprop (campeão olímpico dos 1.500m em 2008), Cyrus Rutto (finalista dos 10.000m no último Mundial),  Abraham Kiptum (recordista mundial da meia-maratona) e Felix Kirwa (campeão em Macau).

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.