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Com VAR, Brasil ganha primeira medalha da história no Mundial de Esgrima

Demétrio Vecchioli

18/07/2019 11h53

Nathalie Moellhausen (Flavio Florido/Exemplus/COB)

O árbitro de vídeo, conhecido no futebol pela sigla VAR, foi decisivo para que o Brasil garantisse, nesta quinta-feira (18), a primeira medalha da história em Mundiais de Esgrima. A luxemburguesa Lis Rottler-Fautsch chegou a comemorar a vitória sobre a brasileira Nathalie Moellehausen, mas os juízes, após longa análise em vídeo, retiraram o ponto e mandaram o duelo continuar. Na sequência, Nathalie conseguiu o golpe que a classificou para a semifinal.

Buscando uma vaga na final, ela enfrentou e venceu Man Wai Vivian Kong, de Hong Kong, terceira do ranking mundial, por 15 a 11. Na outra semifinal, a chinesa Sheng Lin venceu a ucraniana Olena Krivytska. Vice-campeã asiática esse ano, ela será a adversária de Nathalie na final, logo ainda, ainda nesta quinta-efira.   

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Ainda que a medalha, de ouro ou prata, seja a primeira da história da esgrima brasileira em Mundiais, ela é a quarta de Nathalie. Nascida em Milão e radicada esportivamente na Itália, país com enorme tradição na modalidade, ela foi bronze na espada individual em 2010 e foi ao pódio por equipes em 2009 (ouro) e 2011 (bronze).

Nos Jogos de Londres-2012, porém, não foi escalada para competir na disputa individual e entendeu que seu ciclo na Itália estava encerrado. Neta de brasileiros e com cidadania brasileira desde nascença, resolveu se oferecer para competir pelo Brasil, mesmo treinando na França. Em 2015, chegou a ganhar duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos e foi até as quartas de final dos Jogos Olímpicos do Rio, ficando a uma vitória da medalha.

O pódio tão sonhado veio em Budapeste (Hungria), no Mundial. Depois de passar invicta pela fase de poule, na qual cada esgrimista faz sete confrontos, a brasileira virou cabeça de chave do mata-mata. Nesta quinta, ela venceu a polonesa Renata  Knapik-Miazga, a chinesa Mingye Zhu e a italiana Alberta Santuccio antes de chegar às quartas de final.

O duelo que valia vaga na semifinal terminou empatado em 10 a 10 e foi para o golden score, no qual quem pontuar primeiro vence. Faltando 15 segundos, a luxemburguesa comemorou a vitória, enquanto o técnico da brasileira pedia para ela ter calma porque o vídeo mostraria que não. De fato, as duas conseguiram o toque ao mesmo tempo, o que significaria dois pontos para cada num confronto normal, mas que nada muda o resultado do golden score. Faltando cerca de cinco segundos, Nathalie conseguiu a vitória desta vez com um toque incontestável.

Nathalie está convocada para os Jogos Pan-Americanos de Lima, onde vai defender as medalhas de bronze obtidas no Pan de 2015, em Toronto, e no Campeonato Pan-Americano deste ano, disputado também em Toronto, há 20 dias. Nas últimas duas participações em Mundiais, ela havia ficado em 18º e 59º lugares. 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.