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CBJ cancela Grand Slam em Brasília e cria dor de cabeça com parceiros

Demétrio Vecchioli

17/07/2019 14h18

(AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA)

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) convidou a imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro para ir até Pindamonhangaba no início de abril para anunciar uma novidade importante: o Brasil iria voltar a receber uma etapa do Circuito Mundial de Judô em outubro, em Brasília. No meio do caminho, nesta quarta (17), a entidade avisou que desistiu da competição. Cancelar uma competição em cima da hora fez, por exemplo, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) ser suspensa pela Federação Internacional.

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"A decisão foi deliberada e aprovada pelo Conselho de Administração da CBJ em reunião realizada na terça-feira, 16. 
A avaliação é de que foram esgotados todos os esforços relativos à captação dos recursos necessários e em tempo hábil para a realização do evento. A CBJ entende que, com esse panorama financeiro, torna-se inviável o cumprimento do cronograma de execução do projeto do Grand Slam", explicou a entidade, em nota.

As tratativas para o Brasil receber uma etapa do Circuito Mundial vinham desde o ano passado, quando o então ministro do Esporte, Leandro Cruz (MDB), viajou ao Mundial de Baku, no Azerbaijão, e se reuniu com o presidente da Federação Internacional de Judô (IJF). O objetivo, à época, era que o governo federal bancasse a competição.

O mandato do presidente Michel Temer (MDB) acabou, o ministério também, e a verba não foi liberada. Cruz assumiu a Secretaria de Esporte do Distrito Federal e manteve o compromisso. A pasta assumiu a responsabilidade por liberar cerca de R$ 3 milhões para a competição, que seria disputada de 6 a 8 de outubro. Na terça, porém, a CBJ enviou ofício à IJF avisando que desistiria do evento por razões financeiras. A confederação perdeu 87% da sua receita em cinco anos, mas tem um patrocinador forte, com histórico de apoio a eventos, o Bradesco.

Realizar um Grand Slam no Brasil fazia parte da estratégia da CBJ para ajudar a classificar judocas para todas as 14 categorias dos Jogos Olímpicos de Tóquio e com o melhor ranking possível. Por ser dono da casa, o país poderia inscrever até quatro atletas por subdivisão de peso, aumentando consideravelmente a chance de obter pontos no ranking olímpico.

Pelos critérios internacionais, a corrida olímpica tem 24 meses. Nos primeiros 12 meses, os pontos têm peso menor, de 50%. Nos 12 últimos, a pontuação é completa. Para cada atleta são computados os cinco melhores resultados de cada um desses períodos, mais uma bonificação, que pode ser o Masters ou o campeonato continental (no caso do Brasil, o Pan-Americano). O Grand Slam de Brasília seria nessa segunda fase, somando-se a outro seis eventos de nível Grand Slam que já estavam programados.

O Brasil realizou etapas de Grand Slam entre 2009 e 2012, sempre no Rio de Janeiro. No ano seguinte, a cidade fluminense recebeu o Mundial pela terceira vez (antes havia recebido em 1965 e 2007). Depois disso, o governo federal passou a considerar que a prioridade de investimentos deveria ser na preparação das equipes para a Olimpíada do Rio, não a organização de eventos, o que retirou o Brasil do calendário internacional de diversas modalidades, incluindo o judô.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.