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Com verbas bloqueadas, natação e atletismo ganham "aumento" do COB

Demétrio Vecchioli

20/12/2018 04h00

Ginga, mascote do COB, entrega prêmio para Darlan Romani, destaque do atletismo

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou nesta quarta-feira (19) a divisão de recursos da Lei Agnelo/Piva em 2019. Com uma maior estimativa de arrecadação na comparação com o exercício anterior e também uma ampliação no montante destinado a projetos esportivos, o COB ampliou a transferência para a maior parte das confederações. Atletismo e desportos aquáticos, cujas entidades estão sem poder receber recursos do COB, estão entre as maiores beneficiadas.

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Duas razões, principalmente, causam a suspensão de repasses. Uma, a não emissão, por parte do Ministério do Esporte, de um certificado de que a entidade cumpre integralmente a legislação vigente – no caso da CBAt, o estatuto dela não contempla tudo que exige a Lei Pelé. Outra, a rejeição de contas de projetos anteriores pelo próprio COB, como é a situação da CBDA. Por conta dessa suspensão, hoje o comitê é que executa os recursos das duas modalidades, pagando diretamente as contas das confederações, como passagens aéreas e serviços necessários a treinamentos esportivos.
Diferente do que fazia até 2016, agora o COB detalha como é feito o cálculo que define o percentual a que cada confederação tem direito na Lei Piva – a novidade foi implantada em 2016 e aperfeiçoada no fim de 2017, já sob a gestão de Paulo Wanderley. É uma conta complexa, que leva em consideração fatores que vão de medalhas em Olimpíadas, Mundiais e competições de base, até questões relacionadas a gestão e transparência (cujo peso é de 15,7%, apenas).
O alton número de provas disputadas nos Jogos Olímpicos e as conquistas recentes explicam o aumento a que terão direito o atletismo e os desportos aquáticos. A CBAt vai ganhar cerca de R$ 1 milhão a mais (R$ 5,3 milhões) na comparação com o que teria direito em 2018. Já a CBDA terá um aumento de mais de R$ 800 mil – para R$ 4,5 milhões. Essa verba deverá ser importante, porque a tendência é que os Correios não renovem o patrocínio que vence agora no fim do ano.
O vôlei será a modalidade a receber maior fatia do bolo: R$ 7,1 milhões, um aumento de R$ 900 mil na comparação com o ano passado. Empatada em primeiro lugar desse ranking em 2018, a confederação de judô agora é segunda colocada: R$ 6,7 milhões, seguida pelo atletismo (R$ 5,3 milhões).
Era Nuzman fica no passado
Até 2016, o COB colocava as confederações em patamares, com degraus que não eram muito significativos. Naquele ano, por exemplo, o teto foi de R$ 4,5 milhões. Catorze confederações ficaram a uma distância de menos de R$ 1 milhão das líderes, com todas elas ganhando ao menos metade do teto. No ano seguinte, apesar dos critérios técnicos, esse modelo foi mantido.
Agora em 2019, só entre o primeiro e o terceiro colocados haverá uma diferença de R$ 1,8 milhão – ante R$ 1,4 milhão em 2018. Apenas oito confederações vão ganhar menos da metade do que a líder.
Esse cenário se aproxima melhor do que é a realidade das confederações, com algumas apresentando resultados esportivos expressivamente melhor do que as demais. É essa meritocracia que agora é premiada com maior clareza. Também neste sentido, o COB reduziu de R$ 13,4 para R$ 3 milhões a verba "extraordinária", uma espécie de reserva cuja destinação muitas vezes foi decidida politicamente.
Em 2019, vela será a quarta com maior receita (R$ 4,8 mi), seguida de ginástica, boxe e desportos aquáticos (R$ 4,5 milhões), que ficam pouco à frente da canoagem (R$ 4,4 mi). Depois existe um degrau para o levantamento de peso (R$ 3,8 mi), taekwondo (R$ 3,2 mi) e tiro esportivo (R$ 3,1 mi). Com exceção do levantamento de peso e dos desportos aquáticos, todas ganharam medalha na Rio-2016.
O basquete, que vive crise financeira, teve aumento. Depois de ficar com R$ 2 milhões em 2018, vai receber R$ 2,7 milhões em 2019. O handebol, outro que pode ficar sem patrocinador, vai ganhar apenas R$ 300 mil a mais: R$ 2,8 milhões. O hipismo se manteve estável, com R$ 2,7 milhões. As três confederações, porém, despencaram de patamar nos últimos dois anos – até 2017, estavam à frente de canoagem e boxe.
Agora, elas estão muito mais perto do tamanho das menores confederações, de esportes no gelo e na neve, que vão receber R$ 2,5 mi e R$ 2,2 mi, respectivamente. É que o COB decidiu ampliar o piso em quase R$ 1 milhão, praticamente, voltando a patamar de 2016. Mas as confederações de esportes novos no programa olímpico, que têm menor expertise em gestão de recursos, continuam com uma mesada menor. Beisebol/softbol, escalada, surfe, skate e karatê vão ganhar apenas R$ 801 mil, cada.
Mais dinheiro
Com as mudanças na Lei Agnelo/Piva causadas pela MP 846, o COB terá dinheiro também ele a uma maior fatia do bolo das Loterias em 2019. Por isso, o comitê prevê arrecadar R$ 250 milhões desta fonte de recurso no ano que vem, 11,1% a mais do que em 2018.
Ao mesmo tempo, com redução de custos administrativos do comitê (por ação da diretoria mas também para cumprir portaria do Ministério do Esporte), também irá sobrar mais dinheiro para as atividades fim – ou seja, para o esporte em si. A previsão é de que o COB repasse para as confederações ou invista diretamente em atletas e equipes um total de R$ 194,3 milhões, quase 80% do que arrecada. Nos últimos anos da gestão Nuzman, a taxa média fica pouco acima dos 60% – em 2017 o esporte recebeu R$ 134,7 milhões. 
"Estamos investindo com consistência nas ações diretas no esporte. Em 2019 vamos chegar ao maior patamar de investimento de Lei Agnelo/Piva, com 77,7% desta receita direcionada a ações esportivas", disse o presidente do COB, Paulo Wanderley Teixeira, via assessoria de imprensa. "O momento exige mais investimentos, já que 2018 foi um ano de dificuldades políticas e administrativas, com questões importantes que impactaram o sistema esportivo e a sociedade brasileira de uma forma geral".
Desse montante de R$ 194,3 milhões, R$ 109 milhões serão descentralizados para as 34 confederações, que executarão esses recursos. Outros R$ 85,3 milhões serão aplicados diretamente pelo COB em projetos esportivos, muitas vezes também ligados a confederações – o salário dos técnicos pagos pelo COB, como Torben Grael (vela) e Marcos Goto (ginástica), por exemplo, sai dessa conta.
Vale lembrar que a partir da semana passada, com a sanção da MP 846, o COB não precisa mais descentralizar recursos para as Confederações Brasileiras de Desportos Escolares (CBDE) e Desportos Universitários (CBDU). Agora, o dinheiro que já era reservado é repassado diretamente da Caixa a ambas.
DISTRIBUIÇÃO LAP CONFEDERAÇÕES 2019 (e os valores de 2018)
Atletismo – R$ 5.3 milhões (R$ 4.3 milhões)
Badminton – R$ 2.5 milhões (R$ 2.2 milhões)
Basquetebol – R$ 2.7 milhões (R$ 2.0 milhões)
Beisebol/softbol – R$ 801 mil(R$ 719 mil)
Boxe – R$ 4.5 milhões (R$ 3.7 milhões) 
Canoagem – R$ 4.4 milhões (R$ 4.0 milhões)
Ciclismo R$ 3.0 milhões (R$ 2.3 milhões)
Desporto na Neve – R$ 2.5 milhões (R$ 1.5 milhão)
Desporto no Gelo – R$ 2.2 milhões (R$ 1.3 milhão)
Desportos Aquáticos – R$ 4.5 milhões (R$ 3.7 milhões)
Escalada – R$ 801 mil (R$ 719 mil)
Esgrima – R$ 2.6 milhões (R$ 2.3 milhões)
Ginástica – R$ 4.5 milhões (R$ 4.2 milhões)
Golfe – R$ 2.5 milhões (R$ 2.3 milhões)
Handebol – R$ 2.8 milhões (R$ 2.5 milhões)
Hipismo – R$ 2.7 milhões (R$ 2.6 milhões)
Hóquei sobre Grama – R$ 2.3 milhões (R$ 2.1 milhões)
Judô – R$ 6.7 milhões (6.2 milhões)
Karatê – R$ 801 mil (R$ 719 mil)
Levantamento de Peso – R$ 3.8 milhões (R$ 3.0 milhões)
Pentatlo Moderno R$ 3.0 milhões (R$ 2.7 milhões)
Remo – R$ 2.3 milhões (R$ 2.1 milhões)
Rugby – R$ 2.5 milhões (R$ 2.2 milhões)
Skate – R$ 801 mil (R$ 719 mil)
Surf – R$ 801 mil (R$ 719 mil)
Taekwondo – R$ 3.2 milhões (R$ 2.6 milhões)
Tênis – R$ 2.9 milhões (R$ 2.7 milhões)
Tênis de Mesa – R$ 2.9 milhões (R$ 2.3 milhões)
Tiro com Arco – R$2.8 milhões (R$ 2.5 milhões)
Tiro Esportivo – R$ 3.1 milhões (R$ 3.1 milhões)
Triatlo – R$ 2.4 milhões (R$ 2.1 milhões)
Vela – R$ 4.5 milhões (R$ 4.8 milhões)
Voleibol – R$ 7.1 milhões (R$ 6.2 milhões)
Wrestling – R$ 3.0 milhões (R$ 2.8 milhões)

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Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.


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