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Brasil tem novo caso de faixa antifascista proibida, agora no tênis de mesa

Demétrio Vecchioli

15/12/2019 18h48

Reprodução/Twitter

O fim de semana teve mais um caso de bandeira antifascista retirada das arquibancadas de um evento esportivo. Desta vez, no Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, que aconteceu no Centro Paraolímpico de São Paulo. De acordo com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), a arbitragem do evento determinou que os seguranças exigissem que a bandeira com os dizeres "Raquetadas contra o Fascismo", pendurada na grade superior da arquibancada, fosse retirada – ela acabou guardada.

A confederação alega que teve a postura pensando na segurança dos torcedores presentes ao torneio, uma vez que havia pessoas "incomodadas" com a faixa antifascista. "A ação de solicitar a retirada da bandeira não foi realizada de forma violenta ou truculenta. A atitude atendia ao pedido de outros torcedores, incomodados com a manifestação. Havia uma discussão áspera na arquibancada, colocando em risco a segurança de todos os demais", explicou a CBTM.

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No Twitter, o dono da faixa negou o relato. "Uma única pessoa, identificada por presentes como 'Didi', demonstrou incômodo pela bandeira e queria confiscá-la. E, diferentemente da bandeira, apartidária, esse senhor afirmou: 'sou bolsonarista e quero essa merda retirada'. Felizmente, o segurança presente no local agiu de forma pacífica e humana – e acatamos a retirada da bandeira, mesmo ela não ferindo o estatuto do torcedor de nenhuma forma", postou Ken Fujioka. Ele e um amigo, Mateus Amaral, continuaram no torneio com camisetas com a mesma imagem da bandeira. A torcida ainda conta com Luis Yassuda.

Eleita a confederação com melhor práticas de governança do país no Prêmio Sou do Esporte, há duas semanas, a CBTM não explicou por que não determinou a retirada das pessoas (ou da pessoa) que iniciaram a discussão e que colocavam em risco a segurança.

A entidade alega também que a bandeira seria proibida pelo Estatuto do Torcedor, onde um inciso diz ser uma das condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo "não utilizar bandeiras, inclusive com mastro de bambu ou similares, para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável".

"Entendemos, por fim, que a ação tinha o objetivo de evitar um conflito maior, colocando em risco a segurança de todos os mesa-tenistas, em ambiente que transcorreu em clima de total harmonia durantes os cinco dias de evento", completou a confederação, que alega não ter "nenhum tipo de direcionamento político-partidário, seja ele de direita ou esquerda".

Na semana passada, uma faixa com os dizeres "Botafogo Antifascismo" foi retirada pela Polícia Militar das arquibancadas do Estádio Nilton Santos, no Rio. Na ocasião, a PM fluminense também alegou que a faixa era proibida pelo Estatuto do Torcedor.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.