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Dia da final da Copinha será o primeiro com o Pacaembu privatizado

Demétrio Vecchioli

14/12/2019 04h00

A prefeitura de São Paulo e o consórcio Patrimônio SP marcaram para o dia 25 de janeiro a transição completa do Complexo Esportivo do Pacaembu do município para o poder privado. A data é especial. Além de ser aniversário da cidade de São Paulo, é quando o estádio recebe um dos jogos mais importantes do seu calendário: a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Os prazos para a transferência da operação do estádio para a iniciativa privada constavam no edital de concessão, mas dependiam da data da assinatura da ordem de serviço, o que ocorreu no dia 24 de outubro. Pelo calendário legal, o concessionário ganhou 30 dias para submeter seu planejamento à prefeitura.

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Decorrido esse prazo, em 24 de novembro o consórcio passou a acompanhar a operação do estádio, realizada pela Secretaria Municipal de Esporte. Será assim até a véspera do natal, quando a operação passa a ser dividida entre prefeitura e empresa privada. Durante este período, o estádio não deverá receber partidas de futebol.

A virada definitiva de chave está marcada para o dia 24 de janeiro, último em que a prefeitura tem responsabilidade sobre o complexo. No dia 25, quando o Pacaembu receber a final da Copinha, ele já será 100% administrado pelo Consórcio Patrimônio SP, sem nenhum funcionário público atuando ali e com o valor do aluguel indo direto para os cofres da empresa.

Nesta semana os cerca de 20 funcionários municipais que atuam no Pacaembu começaram a serem chamados na sede da Secretaria Municipal de Esportes (SEME) para discutirem seus futuros. No fim de semana acontecerá também a mudança no comando da pasta: sai Carlos Bezerra Jr, da ala mais à esquerda do PSDB, e entra Maurício Bezerra Landim, tesoureiro do PP no município e assessor parlamentar do deputado federal Guilherme Mussi (PP-SP).

A folha salarial do Pacaembu gira em torno de R$ 1,7 milhão, entre funcionários de carreira e cargos de confiança, e esses cerca de 20 postos continuarão existindo, deslocados para outras áreas da SEME. Os médicos, por exemplo, devem ser transferidos para os demais clubes municipais.

No domingo, o estádio o último jogo do ano, um amistoso entre Youtubers. Na quarta (11), outro amistoso de fim de ano, beneficente, realizado sob chuva, deixou claro o deplorável estado do gramado do Pacaembu. Funcionários alegam que o campo recebeu muitos jogos no ano, principalmente nos últimos meses, e que o gramado não aguentou.

Além disso, a prefeitura optou por não estender o contrato da empresa que fazia a manutenção do gramado, contratando a Campanelli Gramados para cuidar da grama entre 19 de novembro e 24 de janeiro. Durante uma semana de novembro, o gramado ficou sem nenhuma manutenção.

Em nota após a publicação desta reportagem, a Campanelli explicou que venceu pregão aberto em fevereiro e que, um dia antes de assumir o contrato, constatou "um campo bastante desgastado, sem manejos e tratamentos básicos de manutenção, como frequência de cortes, reparos pós-jogos e treinos".

"Em cerca de 30 dias de atuação da Campanelli no estádio, já há um notório avanço na qualidade do campo, apesar da utilização intensa do gramado para jogos e eventos de final de ano", disse a empresa, em nota.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

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