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Prefeitura de SP repassa R$ 1 milhão a confederação por amistoso de rúgbi

Demétrio Vecchioli

12/11/2019 04h00

Seleção brasileira de rúgbi no Morumbi (Fotojump)

A prefeitura de São Paulo repassou R$ 1 milhão à Confederação Brasileira de Rúgbi a título de patrocínio pela realização, na capital, do jogo amistoso entre a seleção brasileira masculina de rúgbi XV (tradicional) e o Barbarian FC, considerada uma seleção dos melhores jogadores do mundo. A partida vai acontecer no próximo dia 20, uma quarta-feira, no Morumbi.

O jogo está sendo anunciado desde agosto como sendo "apresentado" pelo Bradesco e "patrocinado" por outras três marcas que patrocinam a CBRu: Heineken, TIM e Arccor Hotels. A prefeitura de São Paulo aparece como uma cota menor, de "apoio", ainda que vá pagar R$ 1 milhão do custo total de R$ 2,2 milhões do evento, que cobra entrada.

O patrocínio da prefeitura foi firmado entre Secretaria Municipal de Turismo e a CBRu. O modelo é a nova aposta do governo paulistano, que historicamente apoiou eventos esportivos pontuais a partir de convênios ou termos de fomento entre a Secretaria de Esporte e as confederações ou federações. Pelo antigo modelo, as entidades precisavam prestar contas dos recursos utilizados, com exigência de três orçamentos para cada item e uma série de formalidades padronizadas.

A prefeitura agora inverte essa lógica com a assinatura de uma Termo de Fomento. Por esse modelo, a decisão de apoiar ou não um evento deixa de priorizar o aspecto esportivo para dar preferência ao impacto turístico. Além disso, não são necessárias contrapartidas. A prefeitura age como uma empresa privada que escolhe quais eventos patrocinar e por qual valor. A estreia do modelo foi no Mundial de Skate Street, como contou o Olhar Olímpico

No caso do amistoso de rúgbi o contrato será de R$ 1 milhão e terá, excepcionalmente, uma contrapartida: doação de ingressos. O plano de trabalho cita 5 mil, cada um com valor unitário de R$ 50, para "projetos sociais" e "projetos infantis de clubes de rúgbi". Menores de idade, de qualquer forma, têm entrada gratuita no jogo, pelo que consta no site de venda de ingressos. Pelo acordo, a secretaria de turismo terá direito a 16 minutos de placas de LED na beira do campo.

Ao explicar o contrato, a prefeitura cita ainda que o jogo, transmitido na ESPN para o Brasil, permitirá "a divulgação mundial da cidade de São Paulo, com um alcance médio previsto para mais de 2,1 milhões de pessoas em domicílio e para 36,8 milhões de internautas". O governo não explica como fez este cálculo. Há dois anos, o duelo contra o All Blacks Maori, também no Morumbi, teve audiência de cerca de 700 mil pessoas no SporTV e 180 mil pessoas no Twitter. 

A Secretaria de Turismo diz ainda que não tem estudos que indiquem o impacto do jogo amistoso na economia da cidade porque "trata-se da primeira participação do poder público municipal da cidade de São Paulo no evento". Uma pesquisa de público e impacto foi contratada para ser feita no dia, quando a praça em frente ao estádio receberá uma espécie de fan fest. 

Prefeitura e CBRu querem que o jogo sirva como teste para que, talvez no ano que vem, a cidade receba uma partida oficial entre duas seleções de primeiro escalão, sendo provavelmente a Argentina uma delas.

Em nota, a CBRu disse que "o aporte de recursos públicos será usado para cobrir despesas do evento no Estádio do Morumbi". De acordo com a CBRu, esse tipo de evento visa "disseminar o rúgbi no Brasil, em especial no Município de São Paulo, onde visa atrair uma maior quantidade público para a modalidade, assim como viabilizar eventos de alto rendimento para a seleção".

Jogo histórico

O duelo do próximo dia 20 é o mais importante já realizado pela seleção brasileira da modalidade. O jogo também é uma passagem incomum da história do Barbarians, que costuma enfrentar equipes de primeiro escalão – os Tupis estão em 25º no ranking mundial. Na última década, os Barbarians só fizeram um amistoso contra uma equipe tão mais fraca, anotando 71 a 0 na República Tcheca.

Diferente de outras modalidades coletivas, o rúgbi estimula a separação das seleções em três diferentes níveis. No grupo de cima estão Nova Zelândia, África do Sul, Inglaterra, Austrália, Irlanda, Argentina, França, Gales, Escócia e Itália. No segundo nível aparecem em destaque outras equipes da Oceania (Fiji, Tonga e Samoa), mas também Uruguai, Estados Unidos, Japão, Espanha e Rússia, por exemplo.

Quando os amistosos são combinados, são privilegiados os duelos entre equipes de nível semelhante. Buscando subir de patamar, o Brasil, hoje no terceiro grupo, vem jogando contra equipes do segundo grupo, tendo perdido recentemente de Espanha, Uruguai e Romênia, mas vencido Portugal, em São Paulo, no fim de semana passado. Em toda a sua história, o time brasileiro nunca enfrentou uma equipe do primeiro grupo, com exceção da Argentina, que costuma utilizar sua equipe de "desenvolvimento" em duelos contra o Brasil.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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