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Blog Olhar Olímpico

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Confederação de judô volta atrás e vai realizar Grand Slam no Brasil

Demétrio Vecchioli

31/07/2019 12h21

Brasileiros participam do Desafio BRA de judô (Inovafoto)

Duas semanas depois de anunciar o cancelamento de um Grand Slam em Brasilia, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) voltou atrás. Ontem (30), bateu o martelo e decidiu que a competição vai sim acontecer. A entidade estava sendo pressionada pelo governo distrital, que reservou cerca de R$ 3 milhão para apoiar a competição, por patrocinadores e pela Federação Internacional de Judô (IJF).

Procurada pelo blog, a confederação confirmou a decisão. "A CBJ, a IJF e parceiros envolvidos na realização do Grand Slam de Brasília 2019 em alinhamento concluído nesta terça-feira alcançaram condições que atendam a todos para garantir a continuidade do projeto. Dessa forma, estão retomados os processos visando à realização do Grand Slam de Brasília 2019 confirmado para o período de 6 a 8 de outubro", comentou.

A confederação, que nunca deu detalhes do motivo de ter cancelado de forma unilateral a competição há duas semanas, completou a nota afirmando que "os esforços da gestão da CBJ seguem no sentido de preservar e praticar os princípios da boa governança, além de oferecer aos atletas um evento de alto nível técnico e organizacional".

Quando cancelou a competição, a CBJ argumentou que haviam sido "esgotados todos os esforços relativos à captação dos recursos necessários e em tempo hábil para a realização do evento" e que o cumprimento do cronograma era inviável devido ao "panorama financeiro".

As tratativas para o Brasil receber uma etapa do Circuito Mundial vinham desde o ano passado, quando o então ministro do Esporte, Leandro Cruz (MDB), viajou ao Mundial de Baku, no Azerbaijão, e se reuniu com o presidente da IJF. O objetivo, à época, era que o governo federal bancasse a competição.

O mandato do presidente Michel Temer (MDB) acabou, o ministério também, e a verba não foi liberada. Cruz assumiu a Secretaria de Esporte do Distrito Federal e manteve o compromisso. A pasta assumiu a responsabilidade por liberar cerca de R$ 3 milhões para a competição

Realizar um Grand Slam no Brasil é parte da estratégia da CBJ para ajudar a classificar judocas para todas as 14 categorias dos Jogos Olímpicos de Tóquio e com o melhor ranking possível. Por ser dono da casa, o país poderia inscrever até quatro atletas por subdivisão de peso, aumentando consideravelmente a chance de obter pontos no ranking olímpico.

O Brasil realizou etapas de Grand Slam entre 2009 e 2012, sempre no Rio de Janeiro. No ano seguinte, a cidade fluminense recebeu o Mundial pela terceira vez (antes havia recebido em 1965 e 2007). Depois disso, o governo federal passou a considerar que a prioridade de investimentos deveria ser na preparação das equipes para a Olimpíada do Rio, não a organização de eventos, o que retirou o Brasil do calendário internacional de diversas modalidades, incluindo o judô.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.