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Câmara dá autorização para Covas privatizar Interlagos

Demétrio Vecchioli

15/05/2019 23h27

Bruno Santos/ Folhapress

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na noite desta quarta-feira (15) a autorização para que a prefeitura da cidade promova a privatização do Autódromo de Interlagos. A votação ocorreu já no fim de uma noite marcada por protestos na cidade contra os cortes na educação, praticados pelo governo federal. O substitutivo foi aprovado com 31 votos favoráveis e 10 contrários, em segundo turno. Como mostrou o Olhar Olímpico, o autódromo dá lucro à prefeitura.  

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Inicialmente apresentado pelo então prefeito João Doria (PSDB), o projeto de lei 705/2017 previa a alienação do autódromo – ou seja, sua venda. O projeto chegou a ser aprovado em primeiro turno, mas encontrou resistência na Câmara, uma vez que a aprovação definitiva dependia da discussão, antes, do Projeto de Intervenção Urbana (PIU) de Jurubatuba, macro-região onde fica o autódromo. E aprovar o PIU Jurubatuba é complexo, por conta dos interesses de vereadores daquela região, como Milton Leite (DEM).

Assim, na semana passada, o prefeito Bruno Covas (PSDB) enviou para a Câmara uma carta solicitando que esse projeto de lei que pretendia vender Interlagos fosse descartado, ao mesmo tempo em que apresentou outro projeto, pedindo autorização para conceder o autódromo e diversos outros equipamentos públicos, como cemitérios e terminais de ônibus, à iniciativa privada.

Logo no dia seguinte à esse movimento, porém, o presidente Jair Boslonaro (PSL), o prefeito Marcelo Crivella (PRB) e o governador Wilson Witzel (PSC) assinaram um termo de compromisso para levar a Fórmula 1 ao Rio em 2021. Isso fez com que Covas se mexesse. Para garantir a privatização de Interlagos sem uma nova longa discussão na Câmara, aquele primeiro projeto de 2017, aprovado em primeiro turno, que previa a venda, foi alterado, para ser uma concessão.

Nesta noite, votaram a favor da concessão principalmente a base que apoia Covas na Câmara. Foram contrários os vereadores Alessandro Guedes, Alfredinho, Antonio Donato, Eduardo Suplicy, Juliana Cardoso, Reis (todos do PT), Toninho Vespoli, Celso Giannazi (PSOL), Eliseu Gabriel (PSB) e José Police Neto (PSD). Os também petistas Arselino Tatto e Jair Tatto não votaram.

Agora, Covas deve iniciar os procedimentos formais para a concessão. Para outros equipamentos como o Ibirapuera, foi inicialmente aberto um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), em que empresas sugerem modelagem da concessão. Escolhida uma modelagem, esta é discutida com a população, por meio de audiências públicas, e só então é aberto edital. No caso do Complexo Esportivo do Pacaembu, já são dois anos desde o início da primeira etapa e até agora não houve homologação do resultado do edital final.

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.