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Governo federal descarta Interlagos enquanto gasta R$ 160 milhões em obras

Demétrio Vecchioli

10/05/2019 04h00

Bruno Santos/ Folhapress

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de apoiar a mudança do GP Brasil de Fórmula 1 para o Rio de Janeiro já em 2020, enquanto a categoria tem acordo com São Paulo, vem durante a vigência de um contrato pelo qual o governo federal investe R$ 160,8 milhões na reforma do autódromo de Interlagos. O acordo foi firmado em 2013, ainda no primeiro mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT), e está atualmente em sua última etapa, com a reforma dos boxes já contratada.

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O repasse desses R$ 160,8 milhões, vindos do orçamento do Plano de Aceleração do Crescimento do Turismo (PAC Turismo), foi uma das condições para que a Fórmula 1 assinasse um novo acordo para permanecer em São Paulo até 2020. "A obra de Interlagos é uma exigência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para que o Brasil continue sediando uma das etapas do Grande Prêmio de Fórmula 1″, informou o Ministério do Turismo, em 2013.

Na época, foi anunciado pelo governo federal que a reforma deveria ser concluída até 2015. Mas não foi isso que aconteceu. A verba foi sendo liberada aos poucos, com uma obra específica sendo realizada a cada ano, até que a última etapa acontecesse agora em 2019. O valor de R$ 160,8 milhões é de 2013 e, desde então, sofreu correções.

Em janeiro, a São Paulo Obras abriu edital para escolher a empresa responsável por obras nos boxes, que incluem uma "reforma geral", a construção de "boxes de apoio" e a instalação de uma nova cobertura sobre a laje do paddock, entre outras intervenções. A licitação foi homologada em 15 de março, com a contratação do Consórcio Paddock Scopus – Souza Competc.

De acordo com o Ministério do Turismo, em novembro do ano passado foram repassados os R$ 43 milhões restantes daquele contrato de 2013. Nos cinco anos anteriores, as obras já haviam incluído o recapeamento da pista, o alargamento da entrada dos boxes, a criação de uma área de escape na curva "S do Senna", a construção de um novo paddock. Na etapa mais recente, foi construído um edifício de apoio e um centro operacional do autódromo.

A se atingir a meta do presidente Bolsonaro, a Fórmula 1 só utilizaria por um ano as reformas completas de Interlagos, bancadas pelo governo federal. Na quarta, ele, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), e o prefeito Marcelo Crivella (PRB) assinaram um protocolo de intenções para que o GP Brasil aconteça no Rio já no ano que vem. Isso apesar de a Fórmula 1 ter contrato com São Paulo até 2020.

No Rio, o autódromo seria construído com recursos privados, em uma área que pertence ao Exército e que seria cedida em concessão à iniciativa privada. Em São Paulo, as obras pagas com recursos federais também podem acabar na mão de empresários. É que tramita na Câmara Municipal um projeto do então prefeito João Doria (PSDB), hoje governador, de também conceder o autódromo.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.