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Olhar Olímpico

Judô brasileiro vai se adaptar à escala da polícia para treinar no Japão

Demétrio Vecchioli

04/04/2019 04h00

(AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK)

Com a meta de ficar entre os cinco primeiros colocados do quadro de medalhas em Tóquio-2020, a seleção brasileira de judô vai fazer uma aclimatação de pelo menos 10 dias na cidade japonesa de Hamamatsu antes de entrar na Vila Olímpica. Durante esse período, os judocas brasileiros terão que se acostumar com novos horários de treinamentos, que serão decididos de acordo com a escala da polícia local e com o horário de saída dos estudantes nas escolas da região.

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Isso porque a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) pretende contar, nos treinamentos, com o auxílio tanto de policiais quanto de estudantes de ensino médio faixas pretas. A ideia é que eles sirvam de sparring (companheiros de treinos) dos judocas brasileiros.

"Dentro da província tem uma federação e a primeira coisa que fizemos foi entrar com contato com ela. Hamamatsu tem uma colônia brasileira muito grande e a gente teve apoio de algumas academias, com alguns brasileiros, mas o nível às vezes é muito baixo e tem o risco até de lesionar. A opção que surgiu melhor foi o ensino médio e a polícia, mas a gente também teve que fazer algumas adaptações", explica Ney Wilson, gestor de alto-rendimento da CBJ.

Tudo tem sido organizado tim tim por tim tim. Ney Wilson já esteve quatro vezes em Hamamatsu, a última delas no final do ano passado. Na ocasião, se reuniu com o chefe da polícia e as duas maiores escolas da cidade. Conheceu os técnicos e os possíveis sparrings. E identificou questões que precisam ser alinhadas. "Eles não abrem mão, não topam dispensar os alunos para ir treinar com a seleção. Então a gente vai adequar nosso treino para ter os melhores atletas presentes. Além disso, não adianta a gente pegar aluno de último ano, porque em 2020 ele vai estar na Universidade, em outra cidade", aponta.

As negociações entre CBJ e a cidade de Hamamatsu vêm desde 2015 e o acordo foi assinado em 2017. Desde então, a confederação vem alinhando todos os detalhes pensando na melhor preparação para a Olimpíada. Por exemplo, já foram feitas viagens de trem saindo de três diferentes cidades de onde chegam voos internacionais, para calcular como é mais rápido chegar até o hotel. Um ginásio será preparado para a equipe, que também terá um andar inteiro de hotel só para ela.

Em agosto, todo o modelo será testado. O Mundial deste ano também será em Tóquio e, aproveitando isso, a CBJ vai fazer uma simulação completa, ficando exatamente os mesmos dias em Hamamatsu, no mesmo hotel, com o mesmo cardápio e os mesmos sparrings. Só a equipe que talvez não seja a mesma.

Convocações

Na terça-feira (2), a CBJ apresentou à imprensa o seu planejamento até Tóquio, com detalhes sobre convocações para os mais diversos eventos, sejam eles do Circuito Mundial, Pan, Mundial ou Olimpíada.

A começar pelos Jogos Pan-Americanos de Lima. As vagas são atribuídas aos atletas que somarem mais pontos em um novo "ranking pan-americano" que engloba pontos dos Campeonatos Pan-Americanos de 2018 e 2019 e de duas etapas do circuito que valem quase nada para a corrida olímpica.

Como o Campeonato, pelo contrário, vale bastante, a seleção titular deve ir a ele e depois ir ao Pan. David Moura e Maria Suelen são exceções e pediram dispensa. Querem focar no Mundial, que começa duas semanas depois. Quem for convocado para as duas competições vai ficar até 29 dias fora do Brasil, viajando primeiro para Lima, depois Hamamatsu, depois Tóquio.

Para o Mundial a convocação não tem segredo. Vão os nove homens e nove mulheres com mais pontos no ranking mundial, independente da categoria, depois do Grand Slam de Baku (Azerbaijão), que acontece em maio. Por regra da federação internacional, há um limite de dois atletas por categoria.

Já para a Olimpíada vale, via de regra, o critério internacional: os 19 melhores do ranking mundial de cada categoria, considerando um atleta por país. Se em alguma categoria a vaga não vier, ainda será possível a classificação pela cota continental: 11 homens e 10 mulheres, um por país, a partir também do ranking mundial.

Com a vaga assegurada, o convocado será aquela que estiver em melhor posição no ranking. Exceto se houver disputa acirrada entre dois atletas, ambos dentro da zona de classificação. Aí a decisão será da comissão técnica, que levará em conta pontuação no ranking, desempenho contra os Top10 do mundo, assiduidade em treinamentos não-obrigatórios e um índice, criado pela CBJ, que calcula quanto custou cada ponto conquistado no ranking.

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.