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Olhar Olímpico

Governo quer diretoria do paradesporto, mas não paga comitê paraolímpico

Demétrio Vecchioli

27/03/2019 04h00

(Divulgação/CPB)

Na esteira da proximidade entre a primeira-dama Michele Bolsonaro e a portadores de deficiência auditiva, o governo federal vai criar uma diretoria específica para o paradesporto dentro da Secretaria Especial de Esporte. Enquanto a decisão não é formalizada, a Caixa Econômica Federal vai completar três meses sem pagar pelo patrocínio do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que depende desse recurso para manter os paratletas treinando e competindo.

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Ainda que o governo Jair Bolsonaro (PSL) tenha prometido o enxugamento da máquina pública, que levou inclusive à extinção do Ministério do Esporte, incorporado ao novo Ministério da Cidadania, um novo departamento vai ser criado. A pasta vai se chamar Departamento de Paradesporto e Alto Rendimento (DPAR), funcionando dentro da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR).

"A nova estrutura deverá atender todo o espectro do paradesporto nacional e terá a missão de planejar, coordenar e acompanhar as modalidades paralímpicas e também aquelas não paralímpicas, como os esportes de surdos, portadores de síndrome de Down, autistas e hemofílicos. O objetivo é promover a inclusão por intermédio não só da prática desportiva, mas também por meio de atividades físicas e terapêuticas especificas", explica o ministério.

As ações voltadas ao paradesporto já ficavam dentro da SNEAR. Em 2017, por exemplo, essa secretaria liberou R$ 1,5 milhão para financiar a ida de 75 atletas, mais comissão técnica, para a Surdolimpíadas, disputada na Turquia. Também é a SNEAR que cuida do Bolsa Atleta e, em tese, de convênios com confederações – "em tese" porque o orçamento da pasta é insuficiente para investimentos que não obrigatórios. 

Ao mesmo tempo em que promove a criação do novo departamento, o governo vem deixando na mão o CPB. De acordo com fontes do Olhar Olímpico, a Caixa não pagou as parcelas que venceram em janeiro e fevereiro do contrato de patrocínio. Estimulada por um discurso contrário ao patrocínio esportivo do ministro da Economia Paulo Guedes, a estatal vem postergando ao máximo os repasses.

Procurado, o CPB não confirmou o atraso no pagamento, nem quis comentar o assunto. O mesmo fez a Caixa, que informou que o assunto é tratado diretamente com o patrocinado. No próximo dia 31 vence outra parcela do contrato.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.