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Blog Olhar Olímpico

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Scheidt volta à vela olímpica aos 45: "Idade não é impeditivo"

Demétrio Vecchioli

05/02/2019 11h38

Robert Scheidt concede entrevista em São Paulo (divulgação)

Dezoito anos depois de seu primeiro título mundial na classe Laser, no juvenil, Robert está de volta à vela olímpica. Nesta terça-feira (5), como antecipou o Olhar Olímpico mais cedo, ele anunciou que vai tentar vaga em Tóquio-2020. Aos 45 anos – terá 47 durante a próxima Olimpíada – o veterano dono de cinco medalhas nos Jogos entende que há uma desconfiança por conta da sua idade.

"Eu sei que muita gente está surpresa com essa decisão, muita gente fala da minha idade, mas em nenhum momento eu penso que idade é impeditivo. Tenho que usar a experiencia que adquiri ao longo dos anos", disse Robert, em entrevista coletiva na manhã desta terça, em São Paulo, na beira da represa de Guarapiranga. 

A decisão vem quinze meses e alguns dias depois de Robert reunir a imprensa no mesmo local para anunciar que estava se aposentando da vela olímpica – naquela temporada de 2017, ele competiu, sem sucesso, na 49er. Na ocasião, disse que já não se sentia competitivo. Agora isso mudou.

"Ainda me divirto velejando, ainda tenho muita paixão por velejar. Acredito que ainda posso ser competitivo, senão não estaria nem começando. Isso é fundamental: acreditar que tenho condições de chegar no resultado. Claro que não vai ser fácil", comenta.

A decisão de voltar à Laser começou a ser cogitada entre setembro e outubro, quando Scheidt voltou a treinar no barco no Lago di Garda, na Itália, onde mora. Em novembro, o veterano disputou a Copa Brasil de Vela em Florianópolis (SC), afirmando que estava ali só por diversão, sem expectativa de resultados, e faturou a prata. Terminou empatado com Bruno Fontes, o primeiro colocado, atrás apenas nos critérios de desempate.

"Meu corpo respondeu bem", avalia Scheidt, que tem planejamento para disputar três competições neste primeiro semestre. Em março, disputa o Princesa Sofia, em Palma de Mallorca (Espanha), etapa anual mais importante do calendário mundial da vela. Sem apoio do COB e da CBVela por enquanto, ele precisa ficar entre os 20 primeiros para ter viagem à etapa de Hyères (França) bancada pelas entidades e para ter vaga no evento-teste na raia olímpica. 

Em julho, Scheidt já disputa o Mundial de Laser, também no Japão, que pode lhe garantir a vaga olímpica – ou quase isso. João Pedro Oliveira já garantiu, no Mundial do ano passado, que o Brasil terá direito a um barco na classe Laser em Tóquio-2020. Falta decidir quem. Será convocado quem obtiver melhor classificação entre os Mundiais de 2019 e 2020, ou for um dos medalhistas do evento-teste.

Apesar de estar voltando só agora à Laser, Scheidt acredita que tem totais condições de estar em Tóquio, que seria sua sétima Olimpíada, e brigar por uma medalha, a sexta. "Eu sei que quando a gente entra num projeto desses pode dar certo e pode não dar. Quando entrei como favorito da Laser em três Olimpíadas, poderia ter ganho ou poderia terminar em décimo. Medo eu não tenho. Você não sabe certamente se você vai ter o sucesso, acredito que eu possa ter o sucesso. Se eu mantiver o ritmo de treinamento, sem lesão que me tire por um mês, três semanas, vou ter chances de brigar contra os melhores."

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.