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Exército recruta jogadores profissionais e planeja jogar o Carioca

Demétrio Vecchioli

25/01/2019 04h00

Seleção militar presta continência antes de partida pelos Jogos Militares de 2015

Pelo menos um zagueiro, um lateral-direito, um meia ofensivo e um atacante. A lista de reforços não é de um time qualquer, mas do Exército Brasileiro, que está contratando peças para compor seu elenco visando a temporada 2019. Mas, diferente de qualquer outra equipe profissional, a dos militares cumpre uma série de formalidades, bem no estilo concurso público. Entre os candidatos estão inclusive jogadores conhecidos, como Leandro Carvalho, meia que começou a carreira no Botafogo e passou por clubes como Sport e Figueirense.

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Contratar atletas de alto-rendimento para formar as seleções brasileiras militares é uma política das Forças Armadas desde 2008. Mas os editais, que abrem vagas específicas por provas e/ou modalidades, não costumam contemplar jogadores de futebol. A primeira vez foi em 2011, quando, com quatro reforços, entre eles Fábio Augusto (ex-Corinthians e Flamengo), o Brasil foi bronze nos Jogos Militares daquele ano, em casa. Depois, em 2015, contando apenas com militares de carreira, não passou no sexto lugar de uma competição na qual Argélia e Omã fizeram a final.

Para melhor o resultado na edição deste ano, em Wuhan (China), em outubro, a Comissão de Desportos do Exército optou por contratar, para reforçar um elenco que hoje conta com seis "contratados". Depois de uma peneira em setembro do ano passado, na qual avaliou 44 atletas (32 do Exército, 10 da Marinha, um da Força Aérea e um da Polícia Militar do Rio), identificou que ainda precisava de zagueiro, lateral-direito, meia-ofensivo e atacante, em um total de seis vagas.

O passo seguinte foi incluir essas vagas no edital lançado em novembro do ano passado. Quarenta e três jogadores se inscreveram, dos quais 20 foram aprovados na primeira fase, curricular. Nela, o Exército atribui pontuações aos candidatos para encontrar aquele que melhor se encaixa no perfil buscado. Por exemplo: participação na Série D do Brasileiro vale mais do que na Série A. Quem tem de cinco a 10 anos de carreira tem mais pontos de quem tem menos de cinco, ou mais de 10.

Também nisso o futebol se distingue bastante das outras modalidades olímpicas, nas quais o Exército busca a nata do esporte brasileiro, sendo bem-sucedido. Com critérios bem delimitados, as Forças Armadas conseguem reservar as vagas para quem tem chance de medalha não só nos Jogos Militares, mas também na Olimpíada. Na natação, por exemplo, Fernando Scheffer foi contratado ano passado e Breno Correia tem tudo para ficar com uma vaga este ano – os dois foram os destaques brasileiros do Mundial de piscina curta. Na esgrima, o único concorrente é Alexandre Camargo, bronze em uma etapa da Copa do Mundo Juvenil no fim de semana passado.

No futebol, o nível é bem mais baixo. Entre os 20 atletas selecionados para os exames físicos estão os atacantes Rodrigo, do Princesa (AM), e Dudu, que teve sua melhor fase no Bonsucesso (RJ), os meias Muniz, da Portuguesa-RJ, e Muniz, do Itabaiana (SE) e o zagueiro Paulo Vitor, do Nova Iguaçu (RJ).

Pelo edital, o Exército não é obrigado a contratar nenhum deles, da mesma forma que pode contratar todos como 3º sargentos, com soldo de pouco mais de R$ 3 mil. Os escolhidos, porém, irão passar pelo que o Ministério da Defesa chamou de "treinamento para os Jogos Militares", de 11 de março até 12 de outubro. Além de 11 atletas do programa, 10 outros militares devem compor o elenco para a competição.

Em programação publicada na última segunda-feira (21) no Diário Oficial da União (DOU), também consta que, entre 19 de abril e 19 de agosto, a equipe vá disputar a "Série B do Campeonato Carioca". De acordo com o Exército, existem tratativas para um acordo com um clube da segunda (B1) ou da terceira (B2) divisões do futebol do Rio. 

O modelo já é utilizado, com sucesso, no futebol feminino, onde o time da Marinha representa o Flamengo em competições oficiais – é, inclusive, atual campeão carioca. Todas as 21 jogadoras que deverão defender o Brasil nos Jogos Mundiais Militares devem ser oriundas do Programa de Alto-Rendimento.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.