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Olhar Olímpico

Isaquias e Erlon fecham Mundial com mais uma medalha de ouro

Demétrio Vecchioli

26/08/2018 09h08

Isaquias e Erlon remam para o ouro em Portugal (divulgação/Ministério do Esporte)

Isaquias Queiroz vai embora do Mundial de Canoagem Velocidade com três medalhas  no peito. A última delas foi conquistada neste domingo e é de ouro. Fruto da vitória no C2 500m, ao lado de Erlon Souza, seu companheiro também em uma medalha da Rio-2016. A prova, porém, não faz parte do calendário olímpico.

O Mundial está sendo realizado em Montemor-o-Velho, cidadezinha histórica no centro de Portugal, e é o quinto seguido em que Isaquias fatura medalhas. Considerando as conquistas em Duisburg (Alemanha), Moscou (Rússia), Milão (Itália) e Racice (República Tcheca), já são dez medalhas em Mundiais. Com as três da Olimpíada são 13 em seis anos competindo em alto-rendimento.

Tudo isso, porém, com o técnico espanhol Jesus Morlán deixando claro que o que interessa é brilhar nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Dentro dessa estratégia, que passa por esconder o jogo, o técnico não escalou Isaquias e Erlon para remarem juntos o C2 1.000m, prova que faz parte do programa olímpico e na qual eles foram prata na Rio-2015. Erlon remou com Maico dos Santos e terminou numa frustrante 12º colocação.

Na distância de 500 metros o resultado veio com certa facilidade, com Isaquias e Erlon colocando um barco de vantagem sobre os segundos colocados, os russos Melantev e Chebotar. A Polônia faturou o bronze.

Assim como na prova individual de 500 metros, vencida por Isaquias na sexta, o resultado serve principalmente para dar moral. Afinal, os brasileiros mostram quem, juntos, têm condições de, se não vencer, remar de igual para igual com os melhores barcos do mundo. Principalmente depois de um frustrante quarto lugar no C1 1.000m (distância olímpica) no Mundial do ano passado, quando Isaquias e Erlon estavam no barco.

Em Montemor-o-Velho, Isaquias ainda ganhou o bronze no C1 1.000m, prova olímpica, atrás de seus dois grandes rivais: o alemão Brendle e o tcheco Fucksa. Por decisão de Morlán, ele não remou as provas de 200 metros – o C1 200m, que lhe rendeu bronze no Rio, deixou o programa olímpico.

"Eu queria a quarta (medalha de ouro), mas não deu. Mas é muito legal poder estar levando dois ouros e uma prata. O importante é vir aqui e dar o máximo, sair com a sensação de trabalho feito. Ano que vem eles vão ter que correr atrás para pegar a gente", comemorou Isaquias, em entrevista à Rede Globo, explicando que não conseguiu se inscrever tardiamente no C1 5.000m. "Eu acho pouco (ter dez medalhas), quero aumentar ainda mais. Agora começar a preparação focando na vaga olímpica", continuou.

O Mundial do ano que vem, afinal, é classificatório para Tóquio. "Estamos no caminho certo para as olimpíadas. Nós não estamos tão longe da vaga olímpica e de disputar o Mundial ano que vem", completou Erlon.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.