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Erica Sena salva dia ruim do Brasil no Mundial com 4º lugar na marcha

Demétrio Vecchioli

29/09/2019 22h01

Erica contra rivais chinesas (Wagner do Carmo/CBAt)

Erica Sena mais uma vez bateu na trave. Quarta colocada no Mundial de Atletismo de 2017, em Londres, ela fez grande prova em Doha (Qatar), na madrugada local desta segunda-feira (30), e repetiu o quarto lugar na marcha atlética 20km. Ficou atrás de três chinesas, que faturaram ouro, prata e bronze. Ao menos, foi a única brasileira a se apresentar bem neste que foi o terceiro dia do Mundial, que ainda segue por mais uma semana. Amanhã (segunda, 30), às 16h40 de Brasília, Alison Brendom disputa a final dos 400m com barreiras com boa chance de medalha.

Por conta do calor e da umidade de Doha, as provas de rua estão sendo realizadas na madrugada, com largada às 23h59 locais, de forma que sejam consideradas do programa do dia anterior. Assim, Erica oficialmente competiu no domingo (29), assim como o revezamento 4x400m misto, que terminou em oitavo e último lugar a final, Almir Junior, 12º e último na final do salto triplo, Aldemir Gomes e Paulo André Camilo, eliminados nos 200m.

De todos eles, Erica era mesmo a mais cotada para um bom resultado, depois de bons resultados na Olimpíada do Rio (foi sétima) e nos últimos dois Mundiais (um sexto e um quarto lugares). Em Doha, ela teve quatro chinesas como adversárias, porque, pelos critérios da competição, o campeão vigente tem lugar garantido sem ocupar uma das três cotas do país.

Desde o começo da prova a batalha de Erica (além do calor) foi contra as chinesas. Uma delas, Jiayu Yang, foi desclassificada já na parte final, mas mesmo assim restaram três representantes da China, todas com mais fôlego que a brasileira para o último quilômetro. Erica terminou a competição em 1h33min36, a 19s do bronze e 26s da prata. A campeã Hong Liu chegou 43 segundos à frente.

"Eu estava muito bem nos primeiros 12, 13 km, mas começou a apertar muito e a perna já não respondia, começou a pesar, tentei continuar brigando, brigando… O tempo daqui realmente foi o fator preponderante para tornar essa prova diferente", comentou Erica.

De resto, o dia do Brasil foi ruim. A começar pelos 200m, em que Paulo André Camilo foi eliminado nas eliminatórias com péssimo tempo de 20s75. No Twitter, ele disse que envelheceu "uns 10 anos" profissionalmente depois dos 100m, prova em que parou na semifinal, sábado (28).

Aldemir Gomes também correu as eliminatórias dos 200m abaixo do que está acostumado, mas chegou a comemorar classificação para a semifinal, com o terceiro tempo entre os que não conseguiram vaga direta (para os três primeiros de cada bateria). Mas os árbitros reviram a desclassificação de um jamaicano, que ficou com uma das vagas na semi, tirando o brasileiro, eliminado com 20s44 – com um centésimo a menos ele avançaria.

Medalhista de prata no Mundial Indoor do ano passado, Almir Junior foi muito mal na final do salto triplo. Queimou as duas primeiras tentativas e executou muito mal a terceira, saltando apenas 15 metros. Acabou eliminado na 12ª colocação, consciente de que seguiria na prova se tivesse alcançado 17 metros. A final foi fortíssima e acabou vencida pelo norte-americano Christian Taylor (17,92m), seguido do compatriota Will Claye (17,74m) e de Fabrice Zango (17,66m), que garantiu a primeira medalha da história de Burkina Fasso e o recorde africano. Cubano naturalizado português, Pedro Pablo Pichardo terminou em quarto, com 17,62m – nunca um salto tão bom não valeu medalha.

"Não era o resultado que eu esperava, mas estou sempre somando coisas novas no aprendizado. Eu tenho aprendido muito e quero levar tudo isso para Tóquio", comentou Almir, que já está qualificado para a Olimpíada.

O Brasil ainda disputou a final do revezamento 4x400m misto, prova que agora é olímpica. Lucas Carvalho, Tiffani Marinho, Geisa Conceição e Alexsander Russo não fizeram boa apresentação e terminaram em oitavo, com 3min16s22, piorando o resultado das eliminatórias. Ao completarem a prova, porém, garantiram vaga para a equipe na Olimpíada de Tóquio.

Disputada pela primeira vez em um Mundial, a prova teve diversas quebras de recordes: de área para Bahrein (bronze) e Grã-Bretanha (quarto lugar), nacional para Jamaica (prata), Polônia (quinto) e Bélgica (sexto) e mundial para os EUA, que venceram com 3min09s34. Depois de um momento conturbado da carreira, quando teve bebê e perdeu o patrocínio da Nike, Allyson Felix ganhou sua 12ª medalha em Mundiais.

O dia, aliás, foi das mamães. A jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce, que também teve bebê durante este ciclo olímpico, venceu os 100m rasos com 10s71, melhor marca da temporada, para ganhar seu quarto título mundial nesta distância. Campeã também em 2009, 2013 e 2015, ela agora é a maior campeã da história dos 100m, entre homens e mulheres. Em Doha, deixou para trás a britânica Dina Asher-Smith (10s83, novo recorde nacional) e a marfinense Marie-Joseé Ta Lou (10s90). Atual campeã olímpica, a jamaicana Elaine Thompson terminou apenas em quarto.

No salto em vara saiu a primeira medalha para a Rússia, para Anzhelika Sidorova, que passou o sarrafo a 4,95m. Como a Rússia está impedida de participar do Mundial, ela e os outros russos em Doha participam como atletas neutros. Sandi Morris, dos EUA, fez grande prova e, com 4,90m, terminou com a prata. Defendendo o título de 2017, a grega Katerina Stefanidi ficou com o bronze. Filha de brasileira, a sueca Angelica Bengtsson terminou em sexto.

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Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.


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