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Rio justifica incentivo calculando arrecadar o dobro de SP com GP Brasil

Demétrio Vecchioli

03/12/2019 21h44

A Secretaria Estadual de Esporte do Rio emitiu nota na noite desta terça-feira (3) para justificar a aprovação de um projeto de lei de incentivo que destina R$ 302 milhões em incentivos fiscais para a realização de duas etapas do GP Brasil de Fórmula 1 em um autódromo que pode vir a ser construído em Deodoro, zona norte da capital fluminense. A aprovação foi revelada pelo UOL Esporte, mais cedo.

Na nota, o governo fluminense disse que os números se justificam porque estudos indicam que a corrida pode movimentar R$ 670 milhões na economia do Rio. O valor é quase o dobro dos R$ 344 milhões que a prefeitura de São Paulo calcula que o GP Brasil do ano passado tenha movimentado.

"Para cada ano de realização da prova, a estimativa é de que o impacto direto e indireto para a economia do Estado do Rio de Janeiro chegue a US$ 160 milhões, cerca de R$ 670 milhões ao câmbio atual, valor baseado em etapas já ocorridas no país e no mundo. Sem contar a projeção da imagem do Rio de Janeiro em todo o mundo pela cobertura que a mídia internacional faz da Fórmula 1", explicou o governo, na nota.

Ainda de acordo com o governo de Wilson Witzel (PSC), a "negociação o projeto 'Fórmula 1 Rio de Janeiro' atende a uma política do Governo do Estado de fomentar a realização de grandes eventos esportivos, potencializando o desenvolvimento econômico e a geração de empregos". Pelo escalonamento aprovado, a Rio Motorsport poderia captar R$ 30 milhões ainda este ano, R$ 60,6 milhões tanto em 2020 quanto em 2021, e R$ 151 milhões em 2022.

O problema é que a o teto de renúncia fiscal de aprovado em lei no final do ano passado para projetos esportivos é 0,375% do total arrecadado em ICMS pelo governo estadual no ano anterior. Em 2018 a arrecadação foi de R$ 37 bilhões e deve se manter neste patamar em 2019. Com isso, todos os projetos esportivos, juntos, poderiam receber autorização para captar R$ 138 milhões. Em 2022 serão R$ 151 milhões só para o GP Brasil.

 

"Não haverá prejuízo ou limitação aos demais projetos nos anos iniciais. E para o último ano, há expectativa de aumento do teto, pelas projeções da retomada da atividade econômica no Estado", defendeu o governo.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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