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MPF investiga presidente do COB e contratação de Rogério Sampaio

Demétrio Vecchioli

03/12/2019 17h52

O Ministério Público Federal (MPF) decidiu abrir representação para investigar a contratação de Rogério Sampaio, campeão olímpico de judô, para ser o diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB), ainda em abril de 2018. De acordo com o Grupo de Trabalho Olimpíada Rio-2016, a contratação fere a Lei 12.813/2013, que dispõe sobre o conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego do Poder Executivo federal e impedimentos posteriores ao exercício do cargo ou emprego. Sampaio foi contratado assim que deixou cargo de Secretario de Esporte de Alto-Rendimento no Ministério do Esporte, onde tinha como uma de suas funções fiscalizar o comitê. 

Em nota, Rogério se defendeu: "Antes de assumir o cargo de Diretor Geral do COB, Rogério Sampaio solicitou à Comissão de Ética da Presidência da República a dispensa do período de quarentena, o que foi concedido pelo órgão", explicou o COB, após a publicação desta reportagem.

A representação, endereçada à Procuradoria da República no Rio de Janeiro, cita duas reportagens do Olhar Olímpico que geraram grande repercussão no movimento olímpico na semana passada. A primeira, sobre denúncias da existência de um esquema de fraude em contratos e contratações de funcionários da área de tecnologia do Comitê Olímpico. Todas as pessoas envolvidas são de Vitória (ES), terra também do presidente Paulo Wanderley.

"Em 28/11/2019, a imprensa publicou reportagem noticiando que um relatório de auditoria trouxe fundados indícios de que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) teria realizado contratações fraudulentas para a prestação de serviços de tecnologia não executados e que as empresas e as pessoas envolvidas seriam todas de Vitória, Espírito Santo, estado no qual o atual presidente do COB Paulo Wanderley Teixeira fez sua carreira política", escreve o procurador da República Leandro Mitidieri.

Ele, porém, notou que isso já consta em uma manifestação do próprio MPF, para a qual deve ser encaminhada cópia da representação desta terça-feira "para fins de complementação".

Mitidieri também pede que seja incluído "que Paulo Wanderley Teixeira teria proposto na assembleia extraordinária do dia 28/11/2019 modificação substancial do estatuto do COB com o objetivo de, dentre outras questões, enfraquecer as regras de compliance e retirar poderes do Comitê de Integridade e do Conselho de Ética da entidade (tais como: aplicar penas e investigar denúncias de irregularidades)", o que também foi tornado público por reportagem do Olhar Olímpico.

Em nota, o COB disse que o Ministério Público Federal está ciente do caso desde o mês de maio e que o COB já prestou os esclarecimentos solicitados pelo órgão. "Em caso de abertura de novo procedimento, o COB irá novamente prestar todos os esclarecimentos necessários", reforçou o comitê.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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