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Judoca é campeã brasileira dando de mamar entre as lutas

Demétrio Vecchioli

01/12/2019 15h24

Camila Yamakawa com o filho no Campeonato Brasileiro (divulgação/CBJ)

Camila Yamakawa conquistou, neste domingo, o 11º título brasileiro da carreira que começou com vitórias no sub-13. Em um esporte individual como o judô, é cada um por si. Mas, desta vez, a sul-mato-grossense de 24 anos teve uma companhia especial no torneio disputado em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O filho Ali, de apenas três meses, participou de toda a conquista.

"Ontem eu lutei duas vezes e, entre uma luta e outra, aproveitei para dar de mamar. Hoje eu ia fazer só a final e, como sou do peso pesado, sei que seria a última a lutar. Então quando tava na final do 57kg, eu fiz ele mamar, mesmo estando dormindo. Achei melhor garantir, e deu certo", contou a judoca, ao Olhar Olímpico.

Natural de Dourados, onde continua treinando, Camila é apontada como promessa do Brasil no peso pesado desde a base e foi vice-campeã mundial júnior em 2015. Mas a categoria dela é também a mais concorrida do país, com Maria Suelen Altheman, Rochele Nunes (que recentemente se naturalizou portuguesa) e Bia Souza, o que fez com que Camila tenha recebido poucas oportunidades de competir com a seleção adulta no exterior.

Pelo sistema vigente no judô nacional, quem está bem no ranking mundial não precisa competir em eventos locais como o Campeonato Brasileiro, interestadual (os atletas representam seus estados, não seus clubes). Vice em 2016, Camila aproveitou a ausência das estrelas para ser campeã em 2017 e 2018. No campeonato de dezembro do ano passado, porém, sofreu grave lesão no joelho.

Sabendo que precisaria operar e parar de competir, ela aproveitou para também realizar o sonho de ser mãe. Os cálculos foram precisos. O menino nasceu em 28 de agosto com 3,5kg e 49 centímetros e, no final de setembro, Camila já estava novamente treinando. Foram pouco mais de dois meses de preparação para o Brasileiro, que aconteceu neste fim de semana.

Atleta do Exército e do Bolsa Atleta, a judoca contou com a ajuda de uma colega de treinamento para poder disputar o Brasileiro. Foi a amiga Ana Gabriele que ficou com o pequeno Ali enquanto a mamãe lutava. O bebê, que recebeu o nome de um tio-bisavô que morreu na Guerra do Líbano (o bisavô conseguiu fugir, migrar para o Brasil, e pediu que a neta fizesse a homenagem), assistiu às duas primeiras lutas do torneio, no sábado.

Hoje, enquanto Camila vencia Sibilia Faccholi, de São Paulo, para conquistar o título, Ali estava dormindo na arquibancada. Mas ele acordou a tempo de subir no colo e ir para o pódio onde a mãe recebeu mais uma medalha dourada para a coleção.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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