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Prefeitura de SP tem R$ 5 milhões para dar a ex-jogadores de futebol

Demétrio Vecchioli

27/11/2019 04h00

Bruno Covas com o vereador Rodrigo Goulart, que propôs o programa (divulgação/Prefeitura)

O orçamento da cidade de São Paulo para 2019 reserva R$ 5 milhões para "auxílio a ex-atletas profissionais de futebol". Como comparação, a manutenção do projeto de futebol feminino do Centro Olímpico, referência na formação de jogadoras no país, custa R$ 1 milhão aos cofres municipais, de acordo com a prefeitura paulistana.

Apesar da verba reservada pelo orçamento municipal, inexiste qualquer previsão de que a prefeitura de fato repasse o dinheiro a ex-jogadores, porque não existe nenhum programa ativo no município que discipline como funcionaria o repasse – quem teria direito, quais as contrapartidas, quanto cada ex-jogador receberia, etc.

A rubrica não constava no projeto de lei orçamentária enviado pelo prefeito Bruno Covas à Câmara Municipal no fim do ano passado. A dotação foi incluída no orçamento em emenda apresentada pelo vereador Rodrigo Goulart (MDB), hoje bastante próximo ao governo municipal. Ele sentou-se à mesa da entrevista coletiva em que a prefeitura lançou o edital de concessão do autódromo de Interlagos, por exemplo.

Rodrigo é filho de Antônio Goulart dos Reis, mais conhecido como Goulart, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians e historicamente associado à torcida organizada Gaviões da Fiel, da qual é um dos fundadores. Como político, foi vereador por cinco mandatos, deixou o filho em seu lugar e chegou em 2015 à Câmara dos Deputados. Em 2018, não conseguiu a reeleição e atualmente está sem mandato.

Mesmo assim, segue influente politicamente na cidade, a ponto de seu filho conseguir emplacar no orçamento uma dotação desassociada de qualquer programa. Segundo Rodrigo Goulart, apesar do termo "auxílio", a ideia é que ex-jogadores trabalhem como treinadores de escolinhas nos Clubes da Comunidade (CDC's) espelhados principalmente pela periferia da cidade.

"A rubrica foi criada para um possível projeto. Eu cobrei algumas vezes da secretaria um projeto completo de como seria efetuado o dinheiro dessa emenda. Na rubrica não tem nenhum tipo de limitação. A rubrica está lá e depende de um projeto que não foi nem feito pela secretaria. O projeto iria definir se seria uma contratação direta, como foi na época em havia uma cooperativa de ex-atletas. Um dos presidentes dessa cooperativa foi o Basílio", cita o vereador, destacando programa que teria começado na gestão Celso Pitta (1997-2000) e descontinuado.

Ainda de acordo com Goulart, os R$ 5 milhões não seriam obrigatoriamente repassados a ex-jogadores, mas utilizados para o programa como um todo, incluindo compra de material esportivo e contratação de preparadores físicos, por exemplo.

O vereador espera a próxima troca de comando na Secretaria de Esporte para tentar emplacar o projeto no ano que vem. Carlos Bezerra Jr (PSDB), atual secretário, vai sair para concorrer a uma cadeira de vereador na eleição do ano que vem e deverá ser substituído por um indicado pelo Progressistas (antigo PP). O favorito é Marcelo Izar Neves, filho do ex-goleiro Gylmar dos Santos Neves, e, mais importante, primo do deputado federal Ricardo Izar (Progressistas-SP).

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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