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Prefeitura entrega obra incompleta em Interlagos para o GP Brasil

Demétrio Vecchioli

07/11/2019 12h25

Nova cobertura do paddock (Demétrio Vecchioli/UOL)

Contratada em 2013 com recursos do PAC Turismo, a obra de requalificação do Autódromo de Interlagos deveria ter ficado pronta em 2015. Atrasos nos repasses, que somaram R$ 160 milhões (valores de 2013) atrasaram também as últimas etapas da reforma, que tinha previsão de acabar antes do GP Brasil de 2019. Uma semana antes da corrida, a prefeitura de São Paulo apresentou as melhorias nesta quinta-feira (7), ainda incompletas.

Em um investimento de R$ 44,5 milhões (sendo R$ 41 milhões do governo federal e R$ 3,5 milhões da prefeitura), esta última etapa das obras em Interlagos incluiu a reforma dos boxes, que agora têm paredes móveis e pé direito mais alto, e a cobertura do paddock. Mas nem tudo ficou pronto a tempo.

"Estamos chegando ao final da etapa que começou em 2014. A gente está terminando agora a penúltima etapa. A última etapa, que é a cobertura da área de apoio do paddock, vai ficar para a WEC", explicou Vitor Aly, secretário municipal de Infraestrutura Urbana, em entrevista coletiva, cintado a etapa do Mundial de Endurance, que vai acontecer no dia 1º de fevereiro do ano que vem.

Material divulgado à imprensa pela prefeitura também nesta quinta-feira falava outra coisa: "A prefeitura de São Paulo acaba de concluir a última etapa das obras de requalificação do Autódromo de Interlagos", diz a primeira frase do release.

Participaram do evento apenas representantes da prefeitura de São Paulo – o secretário de Turismo e da Casa Civil Orlando Faria (PSDB) representou o prefeito Bruno Covas (PSDB), que segue internado -, da Câmara Municipal e da organização da prova. Ainda que a obra tenha sido paga principalmente pela União, com recursos em gestões anteriores, o governo federal não foi convidado.

"O evento não é uma inauguração, é uma feijoada tradicional que o promotor oferece para a imprensa. Quando terminar as obras vamos fazer a inauguração e vamos convidar o governo federal", explicou Faria. Desde 2013, de acordo com a prefeitura, foram investidos R$ 227 milhões em Interlagos, em valores não corrigidos, entre gastos da prefeitura e da União.

As obras vistoriadas hoje permitem que o autódromo sirva também como um centro de eventos e convenções. Os 23 boxes, que antes eram separados por parede de concreto, agora têm divisórias móveis. "Com essa modulação a gente está criando 24 novas salas modulares, com 12 salas de apoio, cozinha, ar condicionado, fazendo com que a gente tenha outros eventos aqui", comentou Aly.

A nova cobertura do paddock deixou a laje sobre os boxes mais atraente para eventos como feiras. Nos boxes, a reforma também visou atender demandas das equipes, que ganharam iluminação e piso especiais. "Nosso autódromo foi melhorando até chegar ao ponto que está hoje, de excelência. Hoje ele não perde para nenhum autódromo construído recentemente, mesmo tendo 80 anos", exaltou Faria.

Além das obras dos boxes, previstas no contrato de 2013 com o governo federal – e prometidas à Fórmula 1 quando da renovação do contrato em 2014 -, a prefeitura também investiu R$ 7,2 milhões este ano em obras de segurança, com ampliação da área de grooving (ranhuras no asfalto) na subida dos boxes, instalação de nova caixa de brita e novas barreiras de pneus, entre outras coisas.

De acordo com a prefeitura, as obras não têm relação com a morte de dois pilotos de motociclismo em corridas realizadas este ano em Interlagos. "A gente suspendeu as provas de motociclismo por 60 dias e exigiu que as organizadoras certificassem o autódromo para a promoção de motociclismo. A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) disse que quem tem poder de homologar é a CBM (Confederação Brasileira), que homologou nosso autódromo para as categorias que aqui são organizadas. Na homologação foram feitas exigências de adaptações, instalação de alguns equipamentos, nós fizemos e hoje o autódromo também está homologado para corridas de motociclismo", explicou o secretário de Turismo.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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