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Blog Olhar Olímpico

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Insatisfeito como 2º do mundo, Fratus muda treinador a 10 meses de Tóquio

Demétrio Vecchioli

07/11/2019 04h00

(Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Medalhista das três últimas edições do Mundial de Natação, Bruno Fratus nunca foi de se contentar com menos do que ser o melhor. Faltando menos de dez meses para os Jogos Olímpicos de Tóquio, o principal nome da natação brasileira na atualidade comunicou esta semana o rompimento do trabalho como técnico australiano Brett Hawke, que já durava cinco anos.

"Eu 'sofro' de um estado de inquietude constante. A obsessão em ser melhor é algo latente no meu dia-a-dia. Não necessariamente melhor do que alguém, mas melhor do que eu fui ontem, na temporada passada, na competição anterior", explicou Fratus ao Olhar Olímpico.

Depois de ser bronze no Mundial de 2015 nos 50m livre, o brasileiro ganhou a prata no Mundial de 2017, com o tempo de 21s27. Este ano, na Coreia do Sul, repetiu o segundo lugar, mas ficou ainda mais distante do norte-americano Caeleb Dressel, o melhor do mundo, que venceu com 21s04, contra 21s45 de Fratus.

"Eu prefiro, e sem nem pestanejar, seguir um caminho improvável e arriscado, mas que eu acredite que vá me preparar parar ser o melhor, do que sentar confortavelmente e esperar para ser top3", diz, ressaltando que, na verdade, manter-se entre os melhores "nunca é fácil e nem nunca vai ser".

O ponto é que o trabalho com Hawke vinha dando certo, ao menos pela entrega de resultados, mas não vinha deixando Fratus completamente satisfeito. "Respeito o Brett e os métodos dele, métodos inclusive que me trouxeram onde estou hoje. O programa tá bem, não teve nenhum tipo de atrito, tudo foi feito sob consenso. A gente tava tendo alguns conflitos, diferenças criativas, uma incompatibilidade de mindset", justificou.

Fratus, que mora na Flórida (EUA), vinha executando à distância os treinos montados por Hawke, que comandava, até janeiro, o programa de natação da Universidade de Auburn. Os treinos, porém, vinham sendo supervisionados na beira da piscina pela ex-nadadora Michelle Lenhardt, esposa do velocista brasileiro. No Mundial deste ano, com a CBDA proibindo convocação de treinadores estrangeiros, Fratus inclusive registrou a esposa como técnica, que acabou convocada para acompanhá-lo.

"Eu sempre fui fora do comum, sempre contestei o formato usual das coisas e agora mais uma vez estou contestando essa imagem de ter um técnico. Gosto de ter autonomia sobre meu programa, gosto de ter autoridade sobre meu programa, e chegou um ponto no qual tive que tomar essa decisão. Eu vou continuar procurando o melhor para mim e tomando os caminhos que considero melhores para minha terceira Olimpíada. Ninguém está mais motivado e preocupado para que esse ciclo dê certo do que eu", afirma.

Fratus diz que ainda existem "detalhes a serem acertados" antes de anunciar se terá um novo treinador até Tóquio e quem será. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) acompanha de perto. O nadador é um dos poucos atletas brasileiros que recebe um repasse do comitê para manter sua comissão técnica, uma vez que, diferente de toda a elite da modalidade no Brasil, não treina dentro da estrutura de um clube, ainda que esteja federado pelo Minas Tênis Clube. Fratus só deve voltar ao Brasil para o Troféu Maria Lenk, seletiva olímpica, em abril.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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