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Nova gestão diz que CBDA tem dívida de R$ 17,2 milhões

Demétrio Vecchioli

15/10/2019 17h25

Horas depois de a Federação Internacional de Natação (Fina) enviar uma carta reconhecendo Luis Fernando Coelho como presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a nova gestão da entidade concedeu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (15) em São Paulo e anunciou que calcula em R$ 17,25 milhões a dívida da entidade. Além disso, a CBDA tem atualmente um déficit operacional de R$ 78 mil ao mês, mesmo não pagando os advogados que atuam nos mais de 300 processos em que a confederação é parte.

Só em glosas da Lei Agnelo/Piva, gastos que a CBDA fez com dinheiro repassado pelo COB e que não tem como comprovar, a confederação deve R$ 7,75 milhões. "Temos dois anos de gestão Coaracy que é impossível que se preste contas. Vai chegar 2058 e os anos de 2015 e 2016 não vão ter contas prestadas", avisou o advogado Marcelo Jucá, diretor jurídico da entidade. 

Sem pagar essa dívida com o COB, a CBDA não pode receber novos recursos da Lei Piva. No ranking que o COB faz a partir do seu GET (Gestão, Ética e Transparência), a confederação de natação é só a 31ª, com nota 2,53. O comitê até segue pagando os custos das equipes, como viagens e treinamentos, mas não banca os custos administrativos da CBDA. Por isso, os agora 11 funcionários, que antes eram pagos com dinheiro da Lei Piva, são remunerados com a pouca receita própria da entidade.

O contrato com os Correios se encerrou no começo do ano e sua renovação chegou a ser anunciada pela estatal e pela confederação, mas nunca foi assinada. Em meados deste ano os Correios notificaram a CBDA por irregularidades no uso da verba repassada, que deveria ser utilizada no esporte e foi aplicada em itens administrativos, e multou a confederação em R$ 2 milhões.

Além disso, a CBDA deve R$ 4 milhões a prestadores de serviços, que vão de advogados a jornalistas, passando por agência de viagem, hotéis e restaurantes, e calcula em R$ 3,5 milhões os processos trabalhistas que correm na Justiça. "Cerca de 45% dessa dívida é da gestão do Miguel. Outros 55% vem desde a gestão Coaracy", comentou Renato Cordani, que foi principal aliado de Miguel Cagnoni como opositor de Coaracy Nunes e também o primeiro a saltar do barco do ex-presidente acusando-o de falta de transparência.

Agora ele lidera o grupo que cuida da CBDA no dia-a-dia, enquanto o presidente Luis Coelho, policial militar, segue morando e trabalhando em Pernambuco. Cordani e outros diretores trabalham como voluntários, mesmo aqueles que antes eram contratados e seguem na confederação, depois de serem oficialmente demitidos. Entre esses estão os ex-nadadores Eduardo Fischer e Ricardo Prado. Jucá fez questão de deixar claro que é voluntário até o fim do ano, mas depois precisa ser contratado, porque quatro advogados de seu escritório trabalham diretamente para a CBDA em mais de 300 processos.

Dívidas

No momento, as contas não fecham. A nova gestão recebeu a entidade com uma folha salarial bruta de R$ 80 mil e um custo total mínimo de R$ 218 mil ao mês, mesmo com a sede fechada e os então 15 funcionários trabalhando em regime de home office. A única renda da CBDA, porém, é de R$ 142 mil ao mês, da Globosat  – no começo deste ano a gestão Miguel pediu adiantamento, comprometendo as parcelas do fim do ano. Em 2020 esse valor sobe para R$ 258 mil, como previsto em contrato.

Um dos desafios para manter a confederação de pé é ampliar receita . "Temos a seletiva olímpica, que é um evento que é muito interessante, que atrai audiência. É um evento que se a entidade tiver bem estruturada, conseguir fazer uma triangulação com a televisão, talvez a gente tenha condições de conseguir patrocínio. Nosso plano prevê patrocínio, inscrição de competições, patrocínios pontuais para eventos", explicou Cordani.

Durante a coletiva, Cordani usou diversas vezes a expressão "depressão" para falar sobre o momento dos esportes aquáticos no país. Três meses depois de o Comitê de Ética solta dura recomendação dizendo que a CBDA estava em "pré-falência", ele chegou a dizer que a entidade estava falida. "Vamos sair dessa depressão com palavras e ações", prometeu. "Saímos da pré-falência para a pré-recuperação", completou o diretor polo aquático, João Santos.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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