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Arthur Nory faz história e é campeão mundial de ginástica

Demétrio Vecchioli

13/10/2019 11h08

Arthur Nory vibra com exibição na barra fixa (Ricardo Bufolin/CBG)

Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos, Arthur Nory agora é também um campeão mundial. Neste domingo (13), ele faturou, na última prova do Mundial de Stuttgart (Alemanha), a primeira e única medalha da seleção brasileira: um ouro, na barra fixa. Momentos antes, Flávia Saraiva foi quarta colocada no solo, ficando sem medalha por detalhes, e, antes ainda, sexta na trave de equilíbrio. Também hoje (13), Bia Ferreira foi campeã mundial de boxe.

Nory, que na Olimpíada do Rio foi bronze no solo, chegou ao Mundial cotado para uma medalha na barra fixa, mas não era nem o principal favorito entre os brasileiros. Chico Barretto ganhou o ouro nos Jogos Pan-Americanos, com nota 14,566, logo à frente do próprio Nory. Nas eliminatórias do Mundial, porém, Chico caiu do aparelho e não conseguiu vaga na final.

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Neste domingo, o ginasta do Pinheiros se superou. Depois de receber nota 14,600 nas eliminatórias, ele melhorou 0,3 em execução e subiu para 14,900. Quinto a se apresentar, assumiu a primeira colocação e passou a torcer para que os adversários não o superassem. Deu certo. Daiki Hashimoto, do Japão, teve várias falhas, e Tyson Bull, da Austrália, teve uma queda. Samuel Mikulak, estrela da ginástica norte-americana, também não brilhou, e deixou o ouro com Nory.

Com a medalha, Nory entra em um seletíssimo hall da ginástica brasileira. Antes dele, só Arthur Zanetti (um ouro e três pratas) e Diego Hypolito (dois ouros, uma prata e dois bronzes), entre os homens, haviam ganhado medalhas em Campeonatos Mundiais. No feminino também já foram ao pódio Jade Barbosa (dois bronzes, em 2007 e 2010), Daiane dos Santos (ouro em 2003) e Daniele Hypolito (prata em 2001).

Arthur Nory, campeão mundial na barra fixa (Ricardo Bufolin/CBG)

Nascido em Campinas (SP), Nory chegou a fazer judô quando criança e conta que decidiu se tornar ginasta graças à influência de Daiane dos Santos e Diego Hypolito, que hoje é seu grande amigo. Desde os 11 anos, defende o Esporte Clube Pinheiros, clube onde é trainado por Hilton Dichelli Junior, o Batata.

Generalista (ginasta que compete em todos os exercícios), Nory sempre teve na barra fixa sua principal prova. Antes da Olimpíada do Rio, era nesse aparelho onde estava sua maior chance de medalha. Por uma conjunção de fatores, que começou com uma boa apresentação e passou por falhas de rivais, ganhou o bronze no solo no Rio.

Passada a Olimpíada, Nory sofreu com lesões. Passou por uma cirurgia no ombro e se poupou para a reta final do ciclo olímpico. Tanto que no Mundial, para não se desgastar, não se apresentou nas argolas, o que o impediu de competir no individual geral. Como o Brasil foi décimo por equipes, o time brasileiro está classificado para Tóquio, para levar quatro ginastas. Nory, Chico, Arthur Zanetti e Caio Souza, 13º na final do individual geral, são favoritíssimos a serem convocados.

Ontem (12), Zanetti não conseguiu cravar a chegada de sua apresentação na final das argolas, deu um passo a mais, e isso o tirou do pódio. Com nota 14,700, o brasileiro terminou apenas na quinta colocação, a 0,208 da medalha de ouro. O passo a mais lhe tirou 0,3.

Flávia Saraiva se apresenta no solo (Ricardo Bufolin/CBG)

Flavinha fica sem medalha

Ainda não foi desta vez que Flávia Saraiva conquistou a primeira medalha mundial de sua carreira. Ela teve duas chances neste domingo. Primeiro a brasileira caiu em sua apresentação na trave de equilíbrio e terminou apenas no sexto lugar. Depois, fez boa apresentação no solo, melhorando a nota na comparação com outras exibições no Mundial, mas ficou sem medalha, na quarta colocação, a 0,1 do bronze. Os técnicos do Brasil recorreram, mas não teve jeito.

As duas medalhas de ouro, na trave e no solo, ficaram com Simone Biles. De longe a melhor ginasta da atualidade, a norte-americana superou a barreira dos 15 pontos na trave e, mesmo sem apresentar o movimento que ela estreou neste Mundial, recebeu nota 15,100. Biles foi acompanha no pódio por duas chinesas:  Tingting Liu, com 14,433, e Shijia Li, com 14,300. Não fosse a queda, Flávia Saraiva poderia ter ficado com uma medalha. Cair da trave faz a atleta perder 1,0 ponto e a nota dela foi 13,400.

Flavinha voltou à arena para mais uma apresentação cerca de uma hora e meia depois. Fez uma apresentação limpa no solo e recebeu a nota 13,966, melhorando 0,033 a nota da final do individual geral. Naquele momento, apareceu em terceiro lugar, atrás da norte-americana Sunisa Lee (14,133) e da russa Angelina Melnikova (14,066). Os técnicos brasileiros decidiram recorrer da nota de partida.

Queriam um décimo a mais, o que faria a brasileira passar Melnikova pelos critérios de desempate. Depois de muita tensão veio a notícia de que os árbitros não aceitaram. Simone Biles se apresentou a seguir e, claro, ganhou o ouro com 15,133, rebaixando Flavinha ao quarto lugar, uma posição melhor do que no Mundial do ano passado.

Xodó da seleção brasileira, Flavinha é a única ginasta do país assegurada na Olimpíada de Tóquio no feminino. A equipe falhou em se classificar no sábado (5), quando ficou em 14º das eliminatórias. O país até pode levar quatro ginastas aos Jogos, mas desde que se classifiquem individualmente. Por enquanto só Flávia fez isso, três vezes, graças aos resultados nas finais do individual geral, do solo e da trave. Em todas as provas, foi a melhor entre as ginastas de países sem vaga por equipes.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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