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Blog Olhar Olímpico

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Resumo dos Mundiais: pódio no boxe, decepção na luta e história na rítmica

Demétrio Vecchioli

19/09/2019 12h30

Como costuma acontecer nos meses de setembro e outubro que antecedem aos Jogos Olímpicos, as últimas (e as próximas) semanas estão repletas de Campeonatos Mundiais. O Brasil participa de todos eles, com objetivos diferentes. Na ginástica rítmica, por exemplo, o 31º luger de Bárbara Domingos foi comemorado: é o melhor da história do país. Na luta, a decepção foi não conseguir nenhuma vaga olímpica.

Hebert Conceição (divulgação)

Mundial de Boxe

Dentre os Mundiais que acontecem esta semana, o mais importante para o esporte brasileiro é o de boxe masculino, que está sendo disputado na Rússia. Mesmo com uma seleção muito renovada (dos sete convocados, seis eram estreantes), o Brasil garantiu uma medalha, com a classificação do médio Hebert Conceição para a semifinal de sua categoria, onde vai encarar o anfitrião russo Glev Bakshi, amanhã. Baiano de apenas 21 anos, Hebert foi finalista do Pan de Lima.

O Brasil ainda chegou às quartas de final do Mundial com Wanderson Oliveira (63kg), eliminado pelo indiano Manish Kaushik, e com Keno Marley (81kg), de 19 anos, que caiu para Bekzad Nurdauletov, do Cazaquistão. Bronze no Pan,  Abner Teixeira (91kg) foi eliminado por Sanjar Tursunov, do Uzbequistão.

Desde 2011 o Brasil subiu cinco vezes no pódio de Mundiais de Boxe masculinos, chegando à sexta medalha com Hebert. O país só passou em branco em 2017. Por conta de uma série de brigas políticas, o Mundial deste ano não valeu vagas olímpicas. No boxe, a única oportunidade de classificação será o Pré-Olímpico das Américas, em março do ano que vem, na Argentina.

Mundial de Luta 

No Cazaquistão, o Brasil fez campanha abaixo da crítica no Mundial de Wrestling e já está eliminado de todas as categorias. Não conseguiu nenhuma das vagas olímpicas que estavam em jogo – eram seis por categoria. Principal esperança de medalha e vice-líder do ranking, Laís Nunes (62kg) perdeu logo na estreia para Kayla Miracle, dos Estados Unidos.

Aline Silva (até 76kg) voltava de lesão e, mal colocada no ranking mundial, deu azar no sorteio. Até venceu uma adversária de respeito na estreia, a bielorrussa Vasilia Marzaliuk (três vezes medalhista em Mundiais), mas caiu diante da japonesa Hiroe Suzuki nas oitavas. Como a algoz foi à final, Aline entrou na repescagem. Hoje, voltou a perder, para Blessing Onyebuchi, da Nigéria.

A melhor campanha foi de Giullia Penalber (até 57kg), que venceu duas lutas, contra a uzbeque Nigora Bakurova e a húngara Emese Barka (também três vezes medalhista em Mundiais), mas perdeu nas quartas para Jowita Wrzesien, da Polônia. Mais uma vitória e teria conquistado a vaga olímpica. 

As brasileiras ainda têm outras duas chances de classificarem para Tóquio: na seletiva continental, em Ottawa (Canadá), de 13 a 15 de março, e na seletiva mundial, em Sófia (Bulgária), de 30 de abril a 3 de maio.

Bárbara (Ricardo Bufolin/CBG)

Mundial de Ginástica Rítmica

Bárbara Domingos, de apenas 19 anos, conquistou o melhor resultado da história da ginástica rítmica do Brasil em Mundiais. Em Baku, no Azerbaijão, ela terminou a fase classificatória no 31º lugar, com um somatório de 57,200 pontos. Natália Gáudio terminou na 44ª colocação.

O Mundial distribui 16 vagas olímpicas, com limite de duas por país – o Mundial aceita até três atletas por nação. O Brasil tinha chances remotas de brigar por essas vagas. A torcida é para que ao menos uma norte-americana fature a vaga olímpica pelo Mundial (uma avançou em 10º à final e outra em 13º), para que os EUA não disputem o qualificatório continental do ano que vem, que distribui vaga à campeã. Exceção às duas americanas, Bárbara foi a melhor do continente no Mundial.

Mundial de Levantamento de Peso

O Brasil enviou oito representantes para o Mundial que começou hoje na Tailândia. As primeiras a competir foram Natasha Figueiredo e Luana Madeira, que ficaram respectivamente no 12º e 18º lugares na categoria até 49 quilos. Principal esperança do Brasil e medalhista nos últimos dois Mundiais Júnior, Luana, que tem 21 anos, não evoluiu na temporada. Levantou dois quilos a mais do que no Mundial Júnior de 2018, competindo um quilo mais pesada.

Candidato a medalha, Fernando Reis só compete na sexta-feira que vem.

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.