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Fuja dos suplementos! COB quer educar atletas para frear onda de doping

Demétrio Vecchioli

16/09/2019 04h00

Christian Trajano, diretor do COB (divulgação/CBTM)

Em toda a história dos Jogos Pan-Americanos, o Brasil havia tido dois casos de doping. Só em Lima-2019, confirmados, são três. Isso porque a delegação previamente convocada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) sofreu três cortes nas vésperas da competição, todos por suspensões antidoping. Ao menos outros quatro brasileiros estariam no Peru se não estivessem também eles cumprindo suspensão.

Atento a esse momento, o COB agiu. Sem o poder de fiscalizar, o comitê atua na prevenção e na educação antidoping. Nos próximos dias, vai colocar no ar um site voltado à conscientização não apenas de atletas, mas também de pessoas que os circundam.

"Queremos iniciar na cultura antidoping qualquer pessoa que acessar a página do comitê. Interesse é que a avó do atleta esteja educada para não dar para ele um remédio que contém substância proibida. Queremos educar todo o entorno do atleta. O código antidoping é muito duro ao colocar que só o atleta é responsável por aquilo que entra no seu organismo", diz Christian Trajano, diretor de Educação e Prevenção ao Doping.

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Em parceria com parceiros como a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (famosas 'farmácias de manipulação), a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o COB também vai lançar um aplicativo voltado à educação do atleta.

"Esse aplicativo vai permitir que o atleta encontre informações como a lista de medicamentos proibidos, como ele pode atender a uma determinação do código mundial, contato direto com o COB. Ele também vai poder tirar dúvidas, entender melhor o risco de suplementos alimentares, qual a posição do comitê olímpico. Nosso papel é educar para os riscos", reforça Trajano, que chegou ao COB no ano passado e tem longa relação de amizade com o filho do presidente do comitê, Paulo Wanderley.

No Brasil, raros são os atletas que assumem o consumo de substância proibida. Já virou rotina as justificativas de "contaminação" de suplementos alimentares. Para o COB existe um único caminho para não correr esse risco: não consumir os tais suplementos.

"A situação mais segura é não consumir suplementos alimentares. Existem atletas que são campeões mundiais, medalhistas olímpicos, sem suplementos alimentares. É essa a recomendação mais segura para todos. Fazer o simples, se alimentar direito, fazer a coisa simples também leva à conquista de medalhas", afirma Jorge Bichara, diretor de Esporte. Internamente, o exemplo citado costuma ser o de Isaquias Queiroz, que era absolutamente proibido pelo técnico Jesus Morlán de consumir suplementos.

O COB não pode proibir que ninguém utilize suplementos, que são legais para a legislação antidoping e para as leis brasileiras. Mas avisa que é por conta e risco de cada atleta. "Cada um se submete ao risco que quer. A gente vai levar a informação. Existe o risco que cada um se submete por livre arbítrio", continua Bichara.

Na semana passada, a Federação Internacional de Tênis (ITF) fez alerta no mesmo sentido, depois de punir um jogador argentino por doping. "Estudos constataram uma proporção significativa de suplementos contaminados com substâncias proibidas e/ou substâncias perigosas para a saúde. Os jogadores na América do Sul devem estar particularmente alertas ao uso de suplementos, incluindo aqueles preparados em farmácias, pois várias violações decorrentes de suplementos preparados por fontes semelhantes ocorreram naquela região", registrou a entidade, que recentemente suspendeu a brasileira Bia Haddad Maia.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.