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Mundiais de Skate em SP dividem atenção de Doria e Covas

Demétrio Vecchioli

10/09/2019 04h00

Doria tira selfie com organizadores do Mundial de Skate Park em São Paulo (divulgação)

Pelas próximas duas semanas, São Paulo será a "capital mundial do skate". A capital paulista vai receber, em dois finais de semana seguidos, campeonatos mundiais das duas disciplinas olímpicas do skate: o park e o street. Não que seja uma iniciativa pensada, pelo contrário. Tanto que o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB, não se entendem quanto a qual evento apoiar.

Ontem (9) foi Doria quem tentou capitalizar sobre o Mundial de Park, organizando no Palácio dos Bandeirantes uma incomum "abertura oficial" da competição, em evento para a imprensa no qual se sentou ao centro da mesa com organizadores e patrocinadores, servindo de mestre de cerimônia. Em meia hora de evento, não citou que a cidade receberá outro Mundial daqui a apenas 10 dias.

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"É a viabilização daquele que foi um sonho que em curto prazo conseguimos realizar", disse Doria, ao apresentar o Mundial de Skate Park, que vai acontecer no Parque Cândido Portinari, vizinho ao Villa Lobos, na zona oeste da capital paulista. Depois dele, representantes da Oi, patrocinadora do evento, e da World Skate, federação internacional, falaram elogiando o anfitrião.

Na verdade o sonho não envolveu o governo paulista. Foi a Confederação Brasileira de Skate (CBSk) que, junto com a empresa Rio de Negócios, organizadora de eventos ligados à Oi, conseguiu junto à World Skate o direito de sediar o torneio. Só depois é que o governo paulista foi procurado para dar suporte, que se restringiu, pelo que apurou o Olhar Olímpico, a facilidades burocráticas. O parque onde ocorre o torneio pertence à Secretaria de Infraestrutura e Meio-Ambiente, que dá "apoio institucional" junto com a Secretaria de Esporte.

Questionado pelo blog, Doria defendeu a postura de protagonista da competição. "Aqui é o Palácio do Governo. Aqui é o palácio onde anunciamos todos os eventos importantes do esporte, saúde, educação. Eu acho que o grande fator público é estimular, oferecer credibilidade para ter apoio privado, não dinheiro público. Todas as iniciativas que fazemos em todas as áreas que pudermos usar a credibilidade do governo de São Paulo para atrair investimento privado assim será", apontou.

O "outro" Mundial

Diferente do que costuma acontecer quando Doria faz anúncios relacionados à cidade de São Paulo, o prefeito Bruno Covas não estava presente nem foi citado durante a entrevista coletiva. Exaltado pelo governador, o lançamento do Mundial de Park não virou notícia no site da prefeitura e foi ignorado pela secretaria municipal de Esporte em sua página.

Não foi assim em agosto, quando coube à prefeitura anunciar que São Paulo vai receber a final da Street League Stakeboarding (SLS), da modalidade street, entre os dias 19 e 22 deste mês no Pavilhão de Exposições do Anhembi. "A iniciativa de trazer o a SLS foi da Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo, que entrou na disputa com a Cidade do México e saiu como vitoriosa para sediar a competição", divulgou a prefeitura na ocasião. 

Ainda se organizando sob o chapéu da renovada World Skate em seu primeiro ciclo como esporte olímpico, o skate só agora está criando um calendário internacional. A falta de padronização é vista nos Mundiais. Enquanto o de Park acontece com entrada franca, o de Street, organizado pela Effect Sport, tem ingressos a partir de R$ 50. A CBSk participa diretamente da organização do primeiro, mas só dá a chancela técnica obrigatória para o segundo.

No caso do Street, o Mundial é, na verdade, a última das três etapas do circuito SLS – na temporada passada, já em 2019, esse Mundial aconteceu na Arena Carioca 1, no Rio. O Park tem um circuito maior, de cinco etapas, o Vans Park Series, que também passou por São Paulo, em junho. A etapa final, que aconteceu no fim de semana passado nos EUA, também é chamada de "Mundial", mas não é reconhecida assim pela World Skate.

O Mundial oficial de Park é este que começa em São Paulo na sexta-feira, com as quartas de final, curiosamente na pista construída e mantida pela Vans no Parque Cândido Antônio Portinari. A marca, porém, não patrocina a competição.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.