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Olhar Pan-Americano: Pan mostra suas fragilidades antes da abertura

Demétrio Vecchioli

26/07/2019 04h00

Os organizadores dos Jogos Pan-Americanos parecem dar de ombros para as críticas feitas – com justiça – ao nível técnico da competição. Os dois primeiros dias de competição, antes da Cerimônia de Abertura, deram combustível aos questionamentos de sempre, mostrando a fragilidade do torneio.

O nível técnico do Pan tem um teto intransponível. A América tem apenas 41 países, dos quais somente quatro são relevantes nos Jogos Olímpicos: EUA, Canadá, Cuba e Brasil. Outros quatro (Argentina, México, Venezuela e Colômbia) têm papeis secundários. Equador, Chile, Jamaica e República Dominicana aparecem pouco. Os outros são meros coadjuvantes.

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Mas há diversas formas de ao menos amenizar o baixo nível técnico. No handebol, por exemplo, a participação de oito equipes parece excessiva. Com um time amador, o Canadá era um grupo de tietes em quadra contra o Brasil. Ainda pior é o time do Peru, que joga por ser dono da casa. Uma equipe colegial brasileira não teria muito trabalho com as peruanas.

No vôlei de praia, a mesma coisa. Ilhas Virgens e Costa Rica, só para ficar em duas equipes que enfrentaram o Brasil na primeira fase, não têm nível para estar no Pan. A chave não precisa ter 16 duplas, para 12 avançarem de fase. Ou melhor seria se, como na Olimpíada, cada país pudesse ter dois times.

Só razões políticas explicam o Pan ter tantas equipes de baixo nível técnico em competições coletivas. Não precisa ser assim. Todos os países, exceto Estados Unidos e Canadá (que não precisam), têm outros eventos poliesportivos para jogar contra rivais de qualidade semelhante, seja os Jogos Sul-Americanos, os Jogos Centro-Americanos e do Caribe ou os Jogos Bolivarianos. O Pan deveria ser para a elite.

Da mesma forma, joga contra a credibilidade do Pan notícias como a dupla da Colômbia que garantiu uma medalha sem nem precisar jogar no squash, avançando direto para a semifinal. Fatos como esse só desvalorizam a medalha pan-americana e, consequentemente, o próprio Pan.

Aviso aos leitores: este blogueiro está em Lima, na cobertura do Pan. O noticiário diário está sendo publicado na lista de últimas notícias do UOL Esporte. No Olhar Olímpico, durante esses dias, vou postar comentários diários. É a série Olhar Pan-Americano.

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.