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Blog Olhar Olímpico

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Thiago Braz 'acorda' e faz segunda melhor prova da carreira em Mônaco

Demétrio Vecchioli

12/07/2019 17h32

Thiago Braz comemora ouro olímpico (Alexandre Cassiano/Nopp)

Quase três anos depois dos Jogos Olímpicos do Rio, Thiago Braz finalmente voltou a ser o saltador que deu o ouro ao Brasil no salto com vara. Nesta sexta-feira (12), demonstrando o arrojo que o fez campeão olímpico, o brasileiro foi o terceiro colocado da etapa de Mônaco da Diamond League. Ele passou o sarrafo a 5,92m, igualando o segundo melhor resultado da sua carreira. A marca é índice olímpico, mas a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) ainda não definiu se vai seguir os critérios internacionais ou se irá restringir o período de obtenção das marcas qualificatórias para Tóquio.

Thiago fez duas temporadas muito ruins em 2017 e 2018, quando teve 5,60m e 5,70m, respectivamente, como melhores saltos ao ar livre. Este ano ele até fez 5,71m em outra etapa da Diamond League, em Doha (Qatar), obtendo índice para disputar o Campeonato Mundial, mas outros 28 saltadores só este ano conseguiram o mesmo.

Depois de voar para ganhar o ouro com 6,03 na Rio-2016, Thiago parecia ter se tornado um saltador comum. O desempenho desta sexta, porém, afastou essa sensação. O brasileiro foi ousado, exatamente como na Olimpíada. Passou 5,52m e, depois de falhar na primeira tentativa para 5,62m, pulou direto para 5,72m. Ultrapassou na primeira e ganhou confiança.

Também superou o sarrafo a 5,82m, melhor resultado em três anos, e preferiu nem saltar 5,87m. Foi direto para 5,92m, o que ele também passou de primeira. Na briga pela vitória na etapa, decidiu ser ousadíssimo. Nem tentou 5,97m, seguindo direto para 6,02m, que poderia lhe valer a liderança no ranking mundial. Aí, falhou três vezes, fechando a competição em terceiro, com 5,92m.

Em toda a carreira, Thiago só fez outros três saltos tão altos ao ar livre. Um, também de 5,92m, para vencer uma prova de rua em Baku (Azerbaijão) em 2015. E outros dois, de 5,93m e 6,03m, para ganhar o ouro olímpico no Rio.

Em Mônaco, ele ficou atrás do polonês Piotr Lisek, que passou 6,02m e fez o melhor salto da temporada, e do fenômeno sueco Armand Duplantis, de 19 anos, que também registrou 5,92m. Os dois são os únicos com saltos na casa de 6 metros em 2019. Thiago agora é o quinto do ranking, atrás também de dois norte-americanos que têm 5,95m.

Ouro na Itália

Também nesta sexta, em Nápoles, na Itália, Gabriel Constantino ganhou a quarta medalha de ouro do Brasil nas provas de atletismo da Universíade. Aos 24 anos, ele venceu os 110m com barreiras com o tempo de 13s22, segundo melhor da história do Brasil. Só não foi recorde sul-americano porque, na terça, na Hungria, ele havia feito 13s18.

Gabriel é o sétimo do ranking mundial dos 110m com barreiras e um dos nomes que ajudam o Brasil a fazer grande temporada no atletismo. Campeão da Universíade nos 400m com barreiras, Alison Brendom, de 19 anos recém-completados, é o quinto do mundo na prova. No arremesso de peso, Darlan Romani, que também bateu recorde sul-americano nesta temporada, é o segundo. No disco feminino, Andressa de Morais é a sexta. Paulo André ganhou os 100m e os 200m na Universíade, mas ainda não está entre os melhores do mundo nas distâncias.

Outro nome importante do atletismo brasileiro na atualidade, Almir Junior, do salto triplo, voltou recentemente de lesão e ocupa o 13º lugar do ranking mundial. Nesta sexta, em Mônaco, ele foi só o sexto colocado, com 16,76m. No ranking mundial, o Brasil ainda tem Alexsandro Melo em nono, com 17,30m. Conhecido como Bolt, Melo foi bronze na Universíade, com 16,57m. A prata ficou com outro brasileiro, Mateus de Sá, também com 16,57m.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.