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Blog Olhar Olímpico

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Handebol comemora perdão de dívida de pelo menos R$ 8,8 milhões

Demétrio Vecchioli

05/07/2019 04h00

A Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) diz ter conseguido o perdão de uma dívida de pelo menos R$ 8,8 milhões com a Federação Internacional de Handebol (IHF). O anúncio foi feito por meio de um vídeo gravado pelo presidente interino Ricardo Souza, o Ricardinho, e enviado pelas redes sociais a presidentes de federação. Procurada via assessoria de imprensa, a confederação não informou o valor exato da dívida perdoada.

A CBHb nunca tratou publicamente sobre essa dívida, que também nunca constou em seus balanços fiscais. Em 2011, a confederação assumiu o compromisso de organizar o Campeonato Mundial Feminino em Santa Catarina, mas não conseguiu o apoio esperado. Para salvar a competição, a IHF emprestou, então, 2,3 milhões de francos suíços à CBHb.

Sem recursos privados – a entidade era então patrocinada por empresas públicas, somente – a CBHb prometeu pagar a dívida organizando outros eventos no Brasil, para os quais poderia utilizar verbas do governo federal e desses patrocinadores: Correios e Banco do Brasil.

O plano não deu certo e, até 2017, a ESPN Brasil mostrou que nenhuma parcela havia sido paga, ainda. Na ocasião, a CBHb não informou o valor da dívida, nem como pretendia pagá-la. Até hoje, a entidade nunca colocou essa dívida em seus balanços financeiros, nem falou publicamente sobre ela.

A exceção foi o vídeo gravado por Ricardinho: "A IHF, pelo seu conselho, perdoou nossa dívida do Mundial de 2011. Com isso, passamos a receber novamente os benefícios. Isso mostra o prestígio alcançado na reunião do ano passado em Doha, em que discutimos a situação do Brasil. Durante todo esse tempo realizamos competições da IHF e agora, no congresso, pedimos o perdão da dívida e fomos agraciados", diz ele na gravação, feita na Suécia.

Com um problema resolvido, a CBHb pode se debruçar sobre diversos outros. Para que o Mundial de 2011 saísse, a confederação também contou com um repasse de R$ 6 milhões do Ministério do Esporte. A prestação de contas, porém, foi rejeitada e o governo exige a devolução de valores que hoje, corrigidos, passam de R$ 10 milhões.

A entidade está sem patrocinador e seu presidente, seu Manoel Luiz Oliveira, segue afastado oficialmente por motivos de saúde. Ele pediu afastamento no meio tempo entre a Justiça determinar seu afastamento por suspeita de corrupção e a confederação ser notificada.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.