Topo
Blog Olhar Olímpico

Blog Olhar Olímpico

São Paulo aposta na iniciativa privada para manter GP Brasil

Demétrio Vecchioli

25/06/2019 18h00

Eleito prefeito e, depois, governador, com um discurso de aproximação entre o poder público e a iniciativa privada, João Doria (PSDB) aposta mais uma vez nessa fórmula. Agora, para aquele que é o grande desafio político desse seu primeiro semestre como governador: manter o GP Brasil em São Paulo. A disputa, afinal de contas, é política, contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que ignora o interesse paulista e usa seu cargo para defender a corrida no Rio de Janeiro a partir de 2021.

LEIA MAIS:

+ Doria abusa da ironia e compara museus para atacar Bolsonaro e o Rio

+ Ao lado de Doria, CEO da F1 reforça disputa aberta entre Rio e São Paulo

+ Câmara Municipal de SP manifesta apoio 'incondicional' por F1 na cidade

Durante a entrevista coletiva, Doria repetiu ao menos cinco vezes o termo "funding", "financiamento" em inglês. "É um funding privado-privado, sem nenhum tipo de incentivo (fiscal). É um diferencial. Venho do setor privado e construí uma coisa que só se tem ao longo de muitos anos, não se conquista em cinco ou seis meses", afirmou, defendendo sua boa relação com a iniciativa privada.

Um dos critérios que parece pesar para que a Fórmula 1 escolha São Paulo ou Rio de Janeiro é, obviamente, financeiro. Nova dona da categoria, a Liberty Media vem cobrando uma taxa dos organizadores dos Grandes Prêmios, que varia de prova a prova, com média de R$ 20 milhões. O Brasil não paga essa taxa, porque na última negociação ficou acertado que a contrapartida para a realização do GP em São Paulo seria uma ampla reforma em Interlagos.

Essa reforma está sendo realizada aos poucos, com investimento pesado do governo federal. Para a prova deste ano, a última etapa será entregue. O contrato ainda prevê mais uma corrida em Interlagos, em 2020. Depois disso, o GP pode ficar em São Paulo ou ir para o Rio.

Perguntado se São Paulo e Fórmula 1 discutiram o pagamento da taxa, o prefeito Bruno Covas (PSDB) foi evasivo. "São Paulo já coloca recursos no evento, deixando o espaço apto para receber a Fórmula 1 e cerca de 400 eventos anuais. Claro que a cidade está discutindo de que forma vamos renegociar tudo que foi solicitado para a prefeitura no atual contrato. Temos um limite para isso. Não faz sentido gastar mais do que traz, mas traz R$ 334 milhões. Temos não só apoio popular, mas também político", lembrou. Mais cedo, a Câmara Municipal havia soltado nota oferecendo apoio "incondicional" pela permanência do GP em São Paulo, numa indicação de que os vereadores aprovariam um investimento por parte da prefeitura.

Covas também aproveitou para dar uma sutil cutucada no Rio, que não tem um autódromo. "Não estamos uma ideia, mas uma realidade e um parceiro que já vem atuando com a F1", lembrou. Doria foi mais direto na provocação. "Nós sabemos fazer funding com o setor privado. Vide o Museu da Independência (do Ipiranga) e o Museu Nacional", atacou, comparando um museu que tem sua reforma em São Paulo financiada pela iniciativa privada e um museu federal, no Rio, que foi destruído pelo fogo e que tem sua recuperação andando a passos de tartaruga.

 

Figura sempre discreta, o secretário da Fazenda do estado, Henrique Meirelles (MDB), pediu a palavra na coletiva para também defender São Paulo. "Qualquer decisão tem que ter racionalidade econômica. A racionalidade econômica tem que prevalecer."

Ficou no ar, porém, o modelo econômico que São Paulo pode apresentar para manter a F1. A Câmara Municipal já deu aval para a prefeitura conceder o autódromo de Interlagos à iniciativa privada e Covas pretende lançar o edital em dezembro, para em março assinar contrato. Aí, a prefeitura em tese não poderia fazer como agora, que investe diretamente (com dinheiro de convênio com o governo federal) em melhorias do autódromo.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

Blog Olhar olímpico