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Doria abusa da ironia e compara museus para atacar Bolsonaro e o Rio

Demétrio Vecchioli

2025-06-20T19:15:44

25/06/2019 15h44

Chase Carey, CEO da Fórmula 1, e o governador João Doria (divulgação)

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) dizer que a Fórmula 1 tinha mais de 99% de chances de fazer o GP Brasil no Rio de Janeiro a partir de 2021 e pedir que o governador de São Paulo pensasse no Brasil, João Doria (PSDB) usou e abusou da ironia para rebater o presidente, seu aliado.

Em determinado momento de entrevista coletiva nesta terça-feira (25) no Palácio dos Bandeirantes, o secretário da Fazenda de São Paulo, o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), pediu a palavra para responder uma pergunta. Doria passou o microfone, mas antes perguntou: "Você também é candidato?".

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Era uma referência a um entendimento de que a disputa entre o GP Brasil entre São Paulo e Rio de Janeiro é também um conflito político/eleitoral entre ele e Jair Bolsonaro, que devem concorrer pela presidência em 2022. Meirelles foi candidato no ano passado.

Outra ironia, que Doria fez questão de confirmar com um "poker face", veio quando o governador defendeu que São Paulo tem melhor histórico de relação com a iniciativa privada do que o Rio. "Nós sabemos fazer funding com o setor privado. Vide o Museu da Independência (do Ipiranga) e o Museu Nacional", atacou, antes de abrir o sorriso e dar uma piscadinha.

Nesse caso, é uma comparação entre um museu ligado ao governo estadual de São Paulo e que está em reformas com apoio da iniciativa privada e o museu que pegou fogo no ano passado no Rio e que é ligado ao governo federal.

Depois, Doria foi, segundo ele, "sutil", ao recomendar que a imprensa fosse até Deodoro para conhecer o terreno onde o Rio quer construir um autódromo. "Não tem estrada para chegar lá, só a cavalo. Aluguem um helicóptero, drone. Não estou desmerecendo a opção (por Deodoro), mas não há acesso, energia, saneamento."

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.