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Felipe Wu fica fora do Pan e ataca confederação: 'amadorismo'

Demétrio Vecchioli

2012-06-20T19:04:00

12/06/2019 04h00

Felipe Wu (Rafael Bello/COB)

Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do Rio, Felipe Wu não estará nos Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru), no mês que vem, para defender o ouro conquistado em Toronto, em 2015. Nome mais conhecido do tiro esportivo do Brasil, ele ficou de fora da convocação divulgada na semana passada pela CBTE. Assim, vai perder o caminho mais curto (e mais viável) para se classificar para a Olimpíada de Tóquio.

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Ao Olhar Olímpico, Felipe Wu admitiu que não está atirando bem – "isso acontece com qualquer atleta, em qualquer modalidade" – , mas reclamou dos critérios que o deixaram de fora da convocação e que, segundo ele, afetaram também outros atletas. Philepe Chateaubrian e Júlio Almeida, que foram melhor do que ele no campeonato classificatório, ficaram com as vagas na pistola de ar.

"Disputei todos as etapas da Copa do Mundo nessa temporada, ficando fora apenas dos Jogos Sul-Americanos (de 2018), pois na mesma data estava defendendo o Brasil no Mundial Militar de Tiro, no qual fui quarto colocado. Infelizmente a confederação não foi eficiente ao publicar as regras de convocação para o Pan, pois foram mudadas as regras algumas vezes", criticou, sem detalhar as mudanças. A quarta colocação, citada por Wu, foi em prova não olímpica. 

O documento com o planejamento técnico da CBTE para as provas de carabina e pistola de 2018, atualmente disponível no site da confederação, diz que "o atleta que conquistar uma vaga para os Jogos Pan-Americanos 2019 será dono da vaga". A mesma frase consta também no planejamento técnico deste ano.

As duas vagas que o Brasil obteve na pistola de ar foram vieram no Campeonato das Américas, disputado em novembro do ano passado no México. Philepe Chateaubrian ficou com uma delas ao ganhar a medalha de bronze. Julio Almeida assegurou a outra, terminando em sexto. Felipe Wu ficou no 18º lugar, sem vaga. Antes, em junho, os atiradores brasileiros tiveram mais uma primeira chance de classificação. Era preciso ser campeão dos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba. Julio Almeida representou o Brasil, mas terminou em terceiro. Disputando o Mundial Militar, Wu não foi à Bolívia.

Agora, Julio e Phelipe terão a chance de classificar o Brasil para Tóquio-2020 em Lima, uma vez que na pistola de ar duas vagas estarão em jogo no Pan. A CBTE já decidiu que o atleta que conseguir classificar o país será também dono da vaga, a não ser que algo extraordinário aconteça – o atirador parar de treinar, ter um problema grave, etc.

Felipe já teve cinco chances de se classificar a Tóquio: o Mundial 2018, em que foi 41º (havia quatro vagas em jogo), o Campeonato das Américas, em que foi 18º (uma vaga), e em três etapas da Copa do Mundo, nas quais foi 53º, 66º e 94º colocado (cada uma distribuiu duas vagas). Agora, só restará a ele tentar uma das duas vagas que estarão em jogo na etapa do Rio de Janeiro da Copa do Mundo, no final de agosto.

Insatisfação

De férias, Felipe Wu falou com o Olhar Olímpico por e-mail. E reclamou da CBTE. "O triste é ainda sofrermos com amadorismo por parte da instituição responsável pelo nosso esporte após uma recente conquista olímpica. A falta de boa gestão gera falta de recursos e isso influencia nos resultados", apontou.

"Para se ter uma ideia, nossa confederação sequer tem técnicos próprios para todas as modalidades. Apenas temos um técnico responsável pelo tiro ao prato que é contratado pela CBTE. O técnico de pistola, que treina apenas alguns atletas, é contratado pelo COB. As modalidades de armas longas não têm técnico desde os Jogos de 2016. É impensável que uma confederação desportiva não tenha técnicos. É o mesmo que uma escola não ter professores!".

As declarações deixaram "estarrecido" o agora vice-presidente da CBTE, Jodson Edington Jr, que foi presidente interino por cerca de seis meses, até alguns dias atrás. "A maioria dos técnicos que está no Brasil é custeado pelo COB para ajudar as confederações, que não conseguem ter uma receita própria. O Felipe, por ter medalha de prata, teve um benefício do COB, que contratou um técnico exclusivamente para ele e está ajudando outros", lembra Edington.

O dirigente ressaltou que a confederação é, sim, amadora, à medida que seus dirigentes não receberiam salários. E afirmou que os atletas têm estrutura. "Ele disse que não tem apoio? Eles (atletas) hoje não pagam passagem, hospedagem, munição, e estão reclamando de apoio? Essas declarações são injustas, não são verdadeiras. Eu mantive contato com o COB, com ele, nos reunimos para poder ajudar ele a recuperar a condição e a forma física e ele ainda faz esses comentários?"

Caminho para Tóquio

O tiro esportivo é uma das modalidades em que o Pan é o caminho mais curto para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Passadas seis etapas de Copa do Mundo (três em cada disciplina), o Mundial e o Campeonato das Américas, o Brasil não tem nenhuma vaga olímpica. Como os outros caminhos são mais uma etapa de Copa do Mundo e o ranking mundial, é tudo ou nada no Pan.

Em 2015, o Brasil fez boa campanha em Toronto. Ganhou ouro com Wu (pistola de ar), Emerson Duarte (pistola 50) e Cássio Rippel (carabina 3 posições). Julio Almeida foi prata na pistola de tiro rápido. Dos quatro, só Wu não estará novamente em Lima.

A convocação ainda tem outros nomes conhecidos como Ana Luiza Ferrão (ouro na pistola 25 em Guadalajara-2011), Roberto Schmits (bronze na fossa olímpica em 2011). Rosane Budag, Renato Portela e Janice Teixeira, atletas olímpicos no Rio, também foram convocadas. Do time que foi à Olimpíada passada, aliás, além de Wu, só Daniela Carraro não estará em Lima. Ela não compete mais internacionalmente.

Confira a convocação:

Tiro ao Prato 
Danielle Maron Gedeon 
Fernando Meneghel Silveira Mello 
Georgia Furquim Bastos 
Janice Gil Teixeira 
José Carlos Vendruscolo Júnior 
Renato Araújo Portela 
Roberto Schmits 

Pistola 
Ana Luiza Ferrão Souza Lima 
Émerson Duarte 
Julio Antonio de Souza e Almeida 
Philipe Chateaubrian Neves Freitas Severo 
Rachel Maria de Castro da Silveira 
Thaís Carvalho Moura 
Vladimir da Silveira 

Carabina 
Cassio Cesar de Mello Rippel 
Geovana Meyer 
Jefferson de Souza Lima Portela 
Leonardo Vagner do Nascimento Moreira 
Roberta Tesch 
Rosane Sibele Budag 
Simone Koch

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.