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Blog Olhar Olímpico

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Vôlei de praia brasileiro amarga pior marca em 32 anos de história

Demétrio Vecchioli

2019-05-20T19:04:00

19/05/2019 04h00

Guto tenta ataque na etapa de Itapema do Circuito Mundial (divulgação)

Desde que o Circuito Mundial de Vôlei de Praia foi criado, em 1987, o Brasil já recebera 85 etapas, entre o masculino e feminino. Só não havia ido ao pódio uma vez, no evento pré-olímpico feminino de 2016 – na ocasião, faturou a prata no masculino. Essa incrível série histórica chegou ao fim neste fim de semana, em Itapema (SC), onde o país sediou uma etapa de 4 estrelas do circuito (o máximo são cinco). No masculino, nenhuma dupla chegou sequer até as quartas de final. Entre as mulheres, ninguém nem nas semifinais.

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O desempenho decepcionante em casa, o pior de todos os tempos, é só mais um sintoma da maior crise já vivida pelo vôlei de praia brasileiro. Isso em meio à corrida por vagas olímpicas em Tóquio. Historicamente, é certo que o Brasil terá duas duplas no masculino e no feminino, restando a briga interna pela convocação. Neste ciclo olímpico, o nível é tão fraco no masculino que o país não tem duplas entre as 10 melhores do mundo.

Foi-se o tempo em que Brasil e Estados Unidos dominavam o circuito. Enquanto países como Rússia, Polônia, Noruega, Canadá e Letônia crescem, os brasileiros veem seu desempenho despencar. Em 2016, dos nove principais torneios da temporada, o Brasil foi ao pódio em sete, com seis medalhas de ouro. No ano passado, de 12, só em seis os brasileiros ganharam medalha. E só em um foram campeões – exatamente em casa, em Itapema.

O torneio em Santa Catarina parecia a chance de os brasileiros se redimirem, mas não foi assim. Cinco duplas passam para a fase de mata-mata, na qual a única vitória veio em confronto direto. De resto, quatro jogos e quatro derrotas, três delas por 2 a 0.

De acordo com a FIVB, a primeira etapa do circuito no Brasil foi realizada em 1987, quando Renan Dal Zotto e  Montanaro, ambos estrelas do vôlei, ficaram com o bronze. Até 1994, só brasileiros e norte-americanos foram ao pódio. Ao longo dos anos, a modalidade se internacionalizou, mas o Brasil sempre garantiu ao menos uma medalha. No masculino, de acordo com a FIVB, foram 74 conquistas em 45 etapas.

Já no feminino, o Brasil chegou a passar em branco no evento-teste da Rio-2016, no Rio. Em 40 eventos, havia ganhado 67 medalhas. Desta vez em Itapema, Ágatha/Duda e Taiana Lima/Talita até chegaram às quartas de final, mas foram eliminas antes da semifinal

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.