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Clube denuncia e corredor tem doping raro: posse de substância proibida

Demétrio Vecchioli

2012-05-20T19:04:00

12/05/2019 04h00

Walace Evangelista Caldas é um caso raro de doping no esporte mundial. O fundista de 20 anos está suspenso não por ter testado positivo para substância proibida em exame antidoping, mas por "posse" de um medicamento proibido, que ele afirma nunca ter visto. Quem o denunciou foi seu próprio clube, o Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo.

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Líder do ranking nacional sub-23 nos 1.500m e nos 5.000m em 2018, com marcas obtidas aos 19 anos, Walace foi desligado do clube no fim do ano passado. Na ocasião, o Pinheiros informou que o rompimento ocorreu por causa do descumprimento de duas cláusulas contratuais: uma que diz que é obrigação do atleta não utilizar medicamentos proibidos pelo código antidoping e outra que exige que o esportista informe o clube de "todo ou qualquer medicamento" ministrado por terceiros.

Walace não teria feito nem uma coisa nem outra quando recebeu em casa uma encomenda que continha caixas de EPO, ou Eritropoietina. Esse hormônio, que aumenta a produção dos glóbulos vermelhos no sangue, potencializa a capacidade de transporte de oxigênio. Por isso, é recorrente em atletas de provas de resistência, como as de fundo do atletismo. 

O jovem dividia a casa com outros atletas do Pinheiros e o caso chegou até a direção do clube, que não apenas o afastou, como também o denunciou à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e à Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). Isso foi em outubro e, nesta semana, a ABCD enfim suspendeu Walace preventivamente, por "posse de substância proibida".

Walace alega inocência e diz não entender por que está sendo julgado. "Eu não recebi (o EPO) e não fiz nenhuma compra de nenhuma substância. Quando receberam, a substância eu não estava na residência, estava em Campinas em viagem. Eles citam que foi encontrado a substância em meus pertences, só que isso não é verdade, pois eu não estava em casa, meu quarto estava trancado, e a substância chegou pelos Correios. Como estava em meus pertences?", questiona o jovem corredor.

Ele diz que tentam incriminá-lo sem provas concretas. "O que eles têm é uma nota fiscal com um nome falho, pois o nome que está lá não está correto. Nunca usei nenhuma substância proibida. Fiz diversos exames de doping e nunca testei positivo. Estão me julgando por uma coisa que eu não cometi", reclama Walace, que aguarda julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.