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Sem dinheiro e com sede fechada, CBDA promete não cancelar torneios

Demétrio Vecchioli

2023-04-20T19:11:33

23/04/2019 11h33

Trofeu Maria Lenk de Natacao (Matheus Paiva/SSPress/CBDA)

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) esperou passar o Troféu Brasil de Natação, principal evento do seu calendário, para enfim tornar pública a crise que atravessa e que a obrigou a fechar sua sede. Na noite de segunda-feira (22), publicou em seu site uma "Carta aberta à (sic) toda comunidade aquática", na qual alega que o "momento de alerta" é de "todo o esporte brasileiro", não só dos esportes aquáticos, e nega que exista risco à realização de competições nacionais da temporada.

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Como mostrou o Olhar Olímpico, a CBDA está inscrita em um cadastro federal de entidades proibidas de firmar convênios para receber recursos públicos, uma vez que teve parcialmente rejeitada a prestação de contas de um convênio antigo com o Ministério do Esporte. Enquanto não pagar a dívida e tirar seu nome do Cepim, a confederação não recebe dinheiro da Lei Agnelo/Piva.

Presidente da CBDA desde 2017, Miguel Cagnoni apostou todas as fichas na renovação do patrocínio com os Correios. Um acordo chegou a ser anunciado por ambas as partes no dia 13 de fevereiro, mas nunca foi assinado. Com isso, desde o fim do ano passado, as únicas fontes de recursos são as taxas federativas e de inscrição em campeonatos e o repasse da federação internacional referente à cota de televisão.

Na semana passada, o GloboEsporte.com entrevistou um dirigente da CBDA que disse que os torneios nacionais corriam risco. Na carta desta segunda, Cagnoni negou isso. "Até o presente momento, todas as medidas tomadas foram para preservar a realização desses referidos torneios brasileiros, sendo, entre outras: a implementação de home office, o eventual desligamento de colaboradores, a redução de pessoal de apoio em eventos, a criação de uma parceria com o COB e os maiores clubes filiados à CBDA", escreveu.

A "parceria" com o COB é, na verdade, uma intervenção branca do comitê na confederação. Durante boa parte do ano passado e agora de forma contínua, o COB é quem tem executado as ações dos esportes aquáticos com o dinheiro da Lei Piva. Por exemplo, todas as contas do Troféu Brasil foram pagas diretamente pelo COB.

O problema é que esse torneio, antes chamado Troféu Maria Lenk, é seletiva para o Mundial adulto e, por isso, interessa ao COB. Competições menores e das categorias de base não fazem parte do programa olímpico brasileiro e, para elas, o COB não não deve disponibilizar recursos.

A CBDA espera que os clubes paguem as contas. "Todos os campeonatos brasileiros serão realizados, justamente na incansável busca de não prejudicar nossos atletas. Graças ao acordo e à parceria com algumas importantes instituições filiadas à nossa comunidade, os campeonatos nacionais serão assim realizados, contanto sempre com o pessoal da federação local, buscando a maior economia financeira possível para entidade", diz a confederação na nota.

Todo ano a CBDA realiza três campeonatos nacionais adultos: o Troféu Brasil, o José Finkel (normalmente em agosto) e o Open (em dezembro). Em 2019, esse último torneio, que em 2018 foi bastante esvaziado, não será realizado. De acordo com a CBDA, a decisão é "técnica" foi tomada em conjunto com os clubes e treinadores brasileiros.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.