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Congresso do COB tem discurso de general em defesa do Governo Bolsonaro

UOL Esporte

13/04/2019 11h38

Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Preparada para ser um marco para o esporte brasileiro, a primeira edição do Congresso Olímpico Brasileiro (COB) se tornou um palanque para dois generais defenderem enfaticamente, por mais de meia hora, o Governo Jair Bolsonaro (PSL). O tema do esporte saiu de pauta para que o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, atacasse a imprensa, o mercado financeiro e a esquerda. Antes, o general Marco Aurélio Vieira atacou seus antecessores, que "pouca coisa conseguiram" para o esporte de alto-rendimento.

"Vamos continuar a brigar com a imprensa", disse Heleno, um dos principais interlocutores de Bolsonaro. "Vocês (jornalistas) tem que parar de tentar desunir o que chamam de ala militar. Para a gente brigar, tem que ser um negócio muito grande, um pegar a mulher do outro. Vocês ficaram 20 anos brigando com o toma lá dá cá. Agora que estamos tentando mudar, vocês metem o pau em tudo", reclamou.

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Augusto Heleno foi convidado a falar porque, durante seis anos, ele foi diretor do COB, responsável, entre outras áreas, pelo Instituto Olímpico Brasileiro, órgão acadêmico do comitê. Ele deixou o cargo no final de 2017, depois da prisão de Carlos Arthur Nuzman, a quem era subordinado.

Falando para um auditório lotado com pelo menos 700 pessoas em hotel da zona sul de São Paulo, Augusto Heleno citou sua passagem pelo IOB e lembrou que o presidente Jair Bolsonaro é, como ele, formado em educação física. Foi o gancho para começar a falar de temas de interesse do governo.

"Fico imaginando como era uma reunião de ministros querendo pegar propina. Se um cara quiser me dar uma propina, eu não teria tempo nem de depositar. Acho que foi isso que aconteceu com o Geddel (Vieira Lima)", disse, arrancando gargalhadas da plateia. O CEO do COB, Rogério Sampaio, foi secretário de alto-rendimento no governo Michel Temer e estava na primeira fileira.

Ainda que tivesse prometido uma fala rápida, Heleno falou por 20 minutos, dos quais 10 foram dedicados exclusivamente a temas sem relação com esporte. "Esse negócio de Petrobras, tem alguém ganhando com isso. Vai subir a ação da Petrobras e quem comprou agora vai ganhar dinheiro. Tá na cara que o negócio é esse", afirmou.

Heleno ainda disse que a prioridade do governo é "melhorar" o Norte e o Nordeste. "Com mais ênfase para o Nordeste, porque o Norte se vira". Sobre o Nordeste, ele pediu uma solução definitiva para acabar com o que chamou de "curral eleitoral".

"O século XXI o país não pode aceitar que no Nordeste todo ano apareça um velhinho, com uma cabra morrendo esquálida, porque não tem água na casa dele. Temos que ter vergonha na cara. Tem que ter uma coisa definitiva para o Nordeste. Salinização, energia eólica. Tem que ter soluções. Não pode aparecer todo ano a cabrinha, o velhinho, o cara comendo um calango. Isso é um curral eleitoral descarado. Não pode continuar assim, temos que ter essa consciência", disse.

Ao encerrar seu discurso, o general disse que a Amazônia não é patrimônio da humanidade, mas do Brasil. "O rei de não sei onde não tem que dar opinião".

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.