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Blog Olhar Olímpico

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Desempregado, bicampeão mundial Duda encaminha aposentadoria

Demétrio Vecchioli

2015-03-20T19:04:00

15/03/2019 04h00

Mauro Vinicius da Silva, o Duda, comemora bicampeonato mundial (AP Photo/Alik Keplicz)

Está chegando ao fim a carreira de Mauro Vinicius da Silva, o Duda. Sem clube, o bicampeão mundial indoor no salto em distância vive momento semelhante ao de Cesar Cielo, também de 32 anos. Ao mesmo tempo em que reduz a carga de treinamento e admite que não pretende competir em alto rendimento este ano, também não diz com todas as letras que está aposentado. Deixa aberta a porta para, se o vento mudar, ainda tentar disputar a Olimpíada de Tóquio, no ano que vem.

"Eu tô meio pensando em resolver as questões da minha vida pessoal. Pode ser que eu entre em competições, mas não em tão alto nível. Estou mantendo minha condição física, mas não treino como treinava antes. Pretendo ir até o ano que vem, só", contou Duda, ao Olhar Olímpico.

Duda está ansioso. No próximo sábado, ele e a esposa, Giovana Cavaleti, líder do ranking nacional do heptatlo no ano passado, vão enfim descobrir se serão pais de um menino ou de uma menina. Ela está grávida de quatro meses e também não tem clube. Duda está desempregado desde que se encerrou o contrato com a BM&F, no fim do ano passado – o clube fechou as portas no início de 2018, mas continuou honrando os compromissos dos atletas, que passaram a defender a Orcampi.

Mas não foi só o desemprego que levou Duda a, cada vez mais, pensar em parar. Com uma carreira marcada por lesões, ele já não conseguia repetir os desempenhos que o levaram a ser bicampeão mundial indoor em 2012 e 2014. No ano passado, perdeu o técnico da vida inteira, Tide Junqueira, e fechou a temporada só como 14º do ranking nacional. Em 2017 também não havia ido bem, terminando em nono.

Sem Tide e com a esposa grávida, Duda foi morar com a sogra, em Presidente Prudente (SP), enquanto a casa que está construindo em São José do Rio Preto (SP) não fica pronta. Os treinos, desde o fim do ano passado, são passados virtualmente pelo experiente Nélio Moura, que trabalha no Ibirapuera. O modelo não animou Duda que, ao treinador, já avisou que está se aposentando.

Ao Olhar Olímpico, o saltador disse que ainda não descarta tentar ir a Tóquio. "Eu pretendo pensar naquela competição no ano que ele vai acontecer. É um objetivo, mas só vou saber se treinarei para ir para a Olimpíada no ano que vem", afirmou, colocando como meta de vida fazer um mestrado em educação física e se dedicar à carreira de treinador.

O blog apurou que a Caixa e a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) têm interesse que Duda seja incluído no programa Heróis Olímpicos, o que faria dele um embaixador da confederação e da patrocinadora, com um salário de até R$ 7 mil por mês. Mas isso só seria possível com Duda aposentado.

Falta de apoio

Duda diz que o momento do atletismo brasileiro, com o fim de diversas equipes profissionais, incluindo seu antigo clube, não influenciou na decisão de tirar o pé (ou se aposentar). Mas lamenta que o cenário venha prejudicando um sem número de atletas.

"Para mim, que já estou em pensar em aposentar, não afeta tanto tanto, mas quem está no meio da carreira ou começando não tem de onde tirar. Esses, que são os mais vulneráveis, vão acabar largando o esporte", projeta.

Sobre a carreira, Duda acredita que, ao menos até agora, foi um atleta melhor do que os resultados que obteve, apesar do bicampeonato mundial. "Tive grandes oportunidades. Por exemplo, nos Jogos Olímpicos de 2012. Saltei 8,01 m e os saltos que foram nulos foram de mais de 8,40 m. Naquela Olimpíada, eu estava numa condição esplendorosa para sair medalhista e não consegui", relembra. O britânico Greg Rutherford foi ouro naquela Olimpíada saltando 8,31 m.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.