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Vencedor de concessão promete ampliar uso do Pacaembu pela população

Demétrio Vecchioli

09/02/2019 12h50

Estádio do Pacaembu em projeto do Consórcio Novo Pacaembu, vencedor do PMI da prefeitura

Depois de evitar a imprensa na sexta-feira (8), o Consórcio Patrimônio SP, formado pela construtora Progen e pelo fundo de investimentos Savona, emitiu comunicado na manhã deste sábado (9) para comentar a vitória no edital de concessão do Pacaembu. No texto, o consórcio fala em ampliar o uso do Complexo Esportivo – que também inclui piscina olímpica, ginásio poliesportivo e quadras de tênis – pela população de São Paulo.

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"O plano de negócios leva em conta todas as limitações de uso que se impõem sobre o estádio por decisões judiciais ou não, bem como a preservação do uso público do complexo esportivo, de acordo com as regras estabelecidas pela Prefeitura de São Paulo. (O consórcio) ressalta que seu objetivo é aumentar o uso e o acesso da população ao equipamento, criando um novo ponto de encontro e lazer para todos os paulistanos", comentou. Pelo edital, o concessionário só precisa abrir a piscina à população por menos de uma hora por dia.

Nesta etapa do processo de concessão, os consórcios apresentam apenas propostas financeiras pela chamada outorga fixa, uma espécie de luvas de contrato. Quem oferece mais, ganha. Como o Patrimônio SP não participou da primeira etapa da concessão, quando empresas apresentaram planos de negócios, com ideias que a prefeitura levou em consideração para formular o edital final, não se conhece o que o consórcio vencedor pretende fazer com o Pacaembu. Só se sabe o valor das luvas: R$ 111,2 milhões.

A proposta vencedora daquela primeira etapa da concessão, o procedimento de manifestação de interesse (PMI), foi do Consórcio Novo Pacaembu, que propôs a demolição do Tobogã para a construção, em seu lugar, de uma área de convivência que ligaria os dois lados das arquibancadas (como se vê na foto que ilustra a reportagem). O setor também interligaria o estádio e o complexo poliesportivo, demanda dos conselhos de preservação do patrimônio histórico.

Mas o edital não colocou a demolição do Tobogã como exigência, mas possibilidade, assim como a construção de uma cobertura. O concessionário, que ficará com o Pacaembu por 35 anos, tem, porém, uma série de obras estruturais obrigatórias, como reformas e construção de banheiros. A previsão da prefeitura é de que só isso custe R$ 70 milhões. O valor pode chegar a R$ 270 milhões com a cobertura e a troca do Tobogã por um prédio comercial.

Na nota divulgada neste sábado, o Consórcio Patrimônio SP informou que "o plano de negócios prevê investimentos de mais de R$ 400 milhões para devolver a São Paulo um dos seus maiores símbolos atualizado, moderno e aberto à população", sem detalhar se esta conta é referente ao seu próprio plano de negócios, ou do projeto vencedor do PMI.

No comunicado, o consórcio disse ainda que "está confiante no sucesso do empreendimento e entusiasmado com a possibilidade de desenvolver um novo equipamento esportivo, cultural e de eventos para a cidade de São Paulo, moderno e em harmonia com seu entorno, respeitando e preservando este importante patrimônio histórico". "Todas as obras e intervenções previstas no plano de negócios respeitarão as diretrizes estabelecidas pelos órgãos municipal e estadual de preservação do patrimônio histórico. Os projetos para a modernização e as bem feitorias serão novamente submetidas aos referidos órgãos", reforçou.

Ainda que o Pacaembu tenha gerado uma renda de R$ 2,0 milhões à prefeitura no ano passado, entre aluguéis do estádio para jogos e de outras áreas, o projeto vencedor do PMI estima que possa arrecadar uma média de R$ 6,1 milhões ao ano só com o estádio. Para isso, fez uma projeção com oito jogos do Palmeiras por ano no Pacaembu, além de 10 do Santos, cinco do São Paulo e cinco de outros times. A ideia é cobrar 20% da renda bruta.

No total, o projeto vencedor do PMI estima que possa ter R$ 61 milhões anuais de receitas com o Pacaembu. Seriam R$ 19,8 milhões em locações para eventos, R$ 16,4 milhões com locações de áreas comerciais, R$ 13,2 milhões com marketing, R$ 4,8 milhões com estacionamento, R$ 4,5 milhões com venda de alimentos e bebidas e outros R$ 3 milhões com um clube de vantagens. Ao mesmo tempo, a manutenção do Pacaembu subiria para R$ 34 milhões ao ano – isso sem considerar o custo do novo empreendimento. Vale lembrar que esses números são do projeto que norteou o edital, não do consórcio vencedor da concessão.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.