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Judô brasileiro se recupera de ano ruim e fatura 3 medalhas no Masters

Demétrio Vecchioli

16/12/2018 12h21

Maria Suelen Altheman fatura bronze (Sabau Gabriela/divulgação/IJF)

Acostumado a colecionar medalhas no circuito mundial, o judô brasileiro teve uma temporada incomum, de raras conquistas. Mas conseguiu fechar o ano de forma positiva, com três medalhas no Masters, evento que fecha a temporada e reúne apenas a elite da modalidade. Rafael Silva foi prata, enquanto David Moura e Maria Suelen Althaman faturaram bronze.

A competição foi disputada em Guangzhou (China) neste fim de semana com chaves curtas, de 16 atletas, selecionados a partir do ranking mundial. O Brasil contou praticamente com força máxima, exceção da Mayra Aguiar, que está lesionada. Única medalhista no Mundial disputado em setembro, Erika Miranda também não foi à China, porque se aposentou.

A campanha brasileira havia começado relativamente bem no sábado, quando três judocas chegaram à disputa por medalha. Eric Takabatake (até 60kg), Daniel Cargnin (até 66kg) e Rafaela Silva (até 57kg) perderam a luta decisiva e ficaram em quinto.

Neste domingo, na chave masculina do peso pesado, Rafael Silva só foi vencido pelo georgiano Guram Tushshvili, líder do ranking mundial,na final. David Moura perdeu nas quartas de final para o japonês Kokoro Kaguera, mas se recuperou na repescagem, com duas vitórias.

Já entre as mulheres Maria Suelen Altheman, como de costume, parou diante da cubana Idalys Ortiz, na semifinal. Na repescagem, venceu a sul-coreano Kinjeong Kim, quarta do ranking mundial. Maria Portela, por sua vez, perdeu na estreia da categoria até 70kg.

Temporada ruim

Há quatro anos, neste mesmo momento do ciclo olímpico passado, o Brasil faturou 13 medalhas em etapas de Grand Slam do circuito mundial, sendo cinco de ouro. Em 2018, o número de medalhas caiu para 10, sendo apenas uma de ouro. O desempenho foi o pior do país desde 2009, quando começam as estatísticas disponíveis na base de dados online da federação internacional de judô.

Foram nove medalhas, sendo uma de ouro, três de prata e seis de bronze. Em números totais, o resultado até foi melhor do que de 2015, quando o país ganhou só uma medalha, mas pior pela métrica do quadro de medalhas, qualitativo. Em 2015 foram quatro medalhas de prata, contra três desta vez.

De qualquer forma, é uma média expressivamente inferior a de anos anteriores. Em 2013 e 2016, o Brasil ganhou 20 medalhas por ano. No ano passado foram 17. A média desde 2009 (tirando 2011 e 2012, anos em que o Rio recebeu competições esvaziadas que tiveram diversos brasileiros no pódio) é de 16 medalhas por temporada.

Esse momento ruim se reflete no ranking mundial. Sem ainda levar em consideração os resultados do Masters, o Brasil não tem nenhum líder e apenas um Top3 – Maria Portela, que também é a única que venceu uma etapa de Grand Slam, na Rússia. David é quarto de sua categoria, assim como Erika. Os Top10, contando também a judoca já aposentada, são oito.

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.