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Blog Olhar Olímpico

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Ciclismo vê saída de principal patrocinador e chegada da McLaren

Demétrio Vecchioli

2012-12-20T18:13:47

12/12/2018 13h47

Team Sky (divulgação)

O mundo do ciclismo foi abalado nesta quarta-feira com o anúncio de que a empresa britânica Sky, potência mundial do mercado de televisão por assinatura, vai deixar de patrocinar a equipe de ciclismo que leva seu nome. Com isso, fica em xeque o futuro daquele que é o maior e mais vencedor time da modalidade, uma das mais populares do mundo. Pouco depois, a McLaren fez um anúncio no sentido oposto: está entrando no ciclismo.

A Sky foi a principal patrocinadora do time desde seu surgimento, apoiando também a equipe nacional da Grã Bretanha ao longo deste período, numa estratégia casada. O ciclismo é uma das modalidades mais populares do país, mas as conquistas na estrada eram escassas. Com o impulso financeiro da Sky, a meta era que um britânico enfim ganhasse a Volta da França. Dois anos após a criação da equipe, em 2012, isso foi obtido por Bradley Wiggins

Desde então, a Sky venceu seis vezes a Volta da França, principal prova ciclística do calendário. Também fez o camisa amarela em 2013, 2015, 2016 e 2017 com Chris Froome e este ano com Geraint Thomas. Nos últimos dois anos, ainda ganhou um Giro D'Itália e uma Volta da Espanha com Froome. Pela Grã-Bretanha, também patrocinada pela Sky, Wiggins ganhou o ouro olímpico em Londres-2012 e o Mundial de 2014 – ele é o único ciclista com essa tríplice coroa.

Agora, tudo isso deve acabar ao fim da temporada 2019. "Chegamos ao ciclismo com o objetivo de usar o sucesso para inspirar uma maior participação em todos os níveis. Depois de mais de uma década de envolvimento, não poderia estar mais orgulhoso do que conquistamos com o Team Sky e com a British Cycling (federação britânica). Mas, no final de 2019, chega para nós a hora de seguir adiante e abrir um novo capítulo na história da Sky", disse Jeremy Darroch, executivo da Sky, em comunicado, nesta quarta-feira.

O fim do patrocínio tem a ver com mudanças no comando da Sky, que foi recentemente vendida pelo grupo 21st Century Fox à Comcast, conglomerado de mídia norte-americano que também é dono da NBC Universal. A nova proprietária da marca optou por não dar continuidade a um patrocínio que custava um investimento de até 30 milhões de libras – quase R$ 150 milhões ao ano.

Esse orçamento, inclusive, vinha sendo alvo de polêmica nos últimos anos. Mesmo equipes consideradas ricas não chegavam à metade do orçamento da Sky. A espanhola Movistar, que tem o colombiano Nairo Quintana, por exemplo, teve entre 14 e 16 milhões de dólares em 2018.

Uma das equipes que reclamava do poderio financeiro da Sky, a Bahrain–Merida (dobradinha entre o governo do Bahrain e a fábrica de bicicletas), que teve cerca de US$ 17 milhões na atual temporada, pode vir a ser próxima potência. Também nesta quarta-feira, a McLaren (que investe estimados US$ 250 milhões na Fórmula 1), anunciou que vai patrocinador o time do Oriente Médio.

No primeiro ano, o patrocínio será de camisa, com a expectativa de que equipe ganhe o nome de McLaren a partir de 2020, depois de um ano para a empresa britânica entender o funcionamento do ciclismo profissional. A Bahrain conta no seu elenco com o italiano Vicenzo Nibali, que ganhou a Volta da França em 2014 e tem dois títulos do Giro.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.