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Blog Olhar Olímpico

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Sandy desistiu de ser bailarina para chutar caras e já tem medalha olímpica

Demétrio Vecchioli

16/10/2018 11h39

Sandy Macedo (reprodução/Instagram)

A resposta para a primeira pergunta é "Sim". Sandy tem mesmo esse nome em homenagem à famosa cantora. E "Minha mãe até tentou, mas veio a Carol, minha irmã mais nova" é a resposta padrão para a pergunta seguinte: "Cadê o Junior?".

Sandy Macedo, porém, é muito mais do que uma simples homônima da filha do Xororó. Aos 17 anos, já tem uma medalha olímpica na crescente coleção de conquistas e promete escrever seu nome na história do taekwondo. O passo mais importante foi dado na semana passada, em Buenos Aires, onde acontece até a próxima quinta-feira a Olimpíada de Juventude.

Depois de passar por uma seletiva mundial que filtrou as oito melhores para competir na Argentina, Sandy estreou vencendo uma egípcia, mas parou na semifinal da categoria até 55kg para uma marroquina. Terminou com o bronze, uma das dez medalhas do Brasil até aqui no evento.

"Eu quero muito fazer minha história e deixar um legado para muitos atletas. Essa medalha que conquistamos agora com certeza foi a primeira de muitas. Ver toda a torcida, todo o carinho, não só das pessoas do taekwondo, acho que me trouxe uma motivação muito grande para até tentar ir para Tóquio-2020", diz Sandy, que tem 17 anos e, na temporada que vem, já compete na categoria adulta.

Já são dez anos de taekwondo, um esporte muito diferente daquele que Sandy sonhava em fazer. O plano da criança, nascida no mesmo ano do estrondoso sucesso "As Quatro Estações" (aquela música que fala do outono, de folhas caindo e de um amor imortal), era ser bailarina. Mas as primeiras aulas de balé foram desinteressantes e logo substituídas pelas de taekwondo. "Por causa das princesas, bailarina é o sonho de quase todas as meninas. Até me levaram para fazer uma aula, mas não gostei. Aí eu vi um projeto social de taekwondo, vi as pessoas treinando, fiquei com curiosidade e pedi para meus pais me levarem."

A partir daí, foi uma mudança radical. "Fui para o sonho de chutar a cara de outras meninas", diz Sandy, rindo. Na verdade, passaram-se alguns anos para que ela passasse a ter interesse nos combates. Inicialmente, ficou no poomsae (lê-se "poncê"), que a grosso modo é a exibição de golpes. Depois, quando passou a lutar, tomou gosto pelas conquistas e pelas viagens. "Já conheço quase que o Brasil inteiro, fui para diversos países, conheci outras culturas…"

Tanto que, após fazer alguns desfiles na infância, Sandy nem cogita deixar o taekwondo de lado para seguir uma outra profissão que também poderia lhe proporcionar viagens. Os 1,77m de altura, os olhos claros, o cabelo loiro natural e o corpo fino costumam atrair olheiros de agências, mas o esporte segue sendo sua profissão. "O taekwondo é o que eu amo. Ele me traz uma qualidade de vida muito boa, me mantenho saudável. É uma coisa que eu faço por prazer. Eu vivo para isso e não tem algo que pague essa felicidade"

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.