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Ex-NBA aposta no basquete feminino e põe time potiguar no Paulista

Demétrio Vecchioli

22/08/2018 04h00

Babby jogando pelo Pinheiros (divulgação)

Depois de Pernambuco e do Maranhão, agora é o Rio Grande do Norte que leva as fronteiras do basquete feminino para além do eixo Sul-Sudeste. Mas não de forma independente. O estado ganhou um novo time profissional, que promete se inscrever para disputar a próxima Liga de Basquete Feminino (LBF), que só começa em março do ano que vem. Mas, antes, vai disputar o Campeonato Paulista.

A equipe é um projeto do ex-pivô Rafael Araújo, mais conhecido como Babby, que jogou três temporadas na NBA, por Toronto Raptors e Utah Jazz. "O custo-benefício de investir no basquete feminino é melhor. Começamos a conversar há uns quatro meses, corremos atrás de empresas, falamos com a secretaria de Esporte do Rio Grande do Norte e agora vamos para cima. Vamos fazer acontecer", promete.

O projeto é arrojado e incomum. A secretaria de Esporte do Rio Grande do Norte vai patrocinar o time com R$ 350 mil, graças a uma verba do Banco Mundial. A ideia é que a equipe, que recebeu o nome de Instituto Babby/RN, promova o turismo potiguar especialmente no interior de São Paulo. É de lá que chegam grande parte dos turistas que visitam este estado do Nordeste. Um resort em Natal vai oferecer hospedagem para a equipe.

Para baratear os custos, o instituto, que inicialmente pretendia se basear no Guarujá, fechou parceria com a prefeitura de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, que já disputou a LBF. Assim, não precisará pagar taxas de filiação à liga. E também terá a oportunidade de preencher o calendário, disputando o Campeonato Paulista, que começa daqui a duas semanas.

"Já está definido que vamos levar quatro jogos do Paulista para o Nordeste. Depois, na Liga, nossa sede vai ser no Rio Grande do Norte, muito provavelmente em Mossoró, que tem uma estrutura de quadra melhor do que Natal", conta Babby, que prevê um orçamento de R$ 1,5 milhão para manter o time por uma temporada.

Crescimento

Apesar dos resultados ruins da seleção, que não conseguiu se classificar para o Mundial deste ano, o cenário interclubes do basquete feminino é de crescimento. O Campeonato Paulista terá oito equipes: Instituto Babby (Pindamonhangaba), Santo André, Catanduva, São Bernardo, Vera Cruz/Campinas, Ituano, Sesi/Araraquara e Sorocaba.

Esses dois últimos, assim como Pindamonhangaba, são times novos – ao menos no alto-rendimento. Considerando ainda que Uninassau (Recife), Sampaio Corrêa (São Luis-MA) e Blumenau jogaram a liga no ano passado, há a possibilidade de a LBF ter 11 times, contra nove da temporada. Ou até mais, caso o Vitória (de Salvador) confirme a expectativa de inscrição. É um crescimento expressivo para um torneio que tinha seis times em 2016/2017 – apenas três paulistas.

A nota triste é que Presidente Venceslau, time do interior de São Paulo que jogou todas as temporadas da liga desde 2014 está com atividades suspensas por falta de verbas. O time disputava o Campeonato Paulista há oito anos. São José dos Campos também chegou a estudar participar do torneio, mas não se inscreveu.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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