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Croata, técnico da seleção de basquete é contra atos políticos na Copa

Demétrio Vecchioli

13/07/2018 15h12

Aleksandar Petrovic, técnico da seleção brasileira de basquete (divulgação)

Até chegar à final da Copa do Mundo, a Croácia se viu envolvida, até mesmo sem querer, com algumas das mais importantes discussões de geopolítica internacional da história dos Mundiais. Seja pelos reflexos da Guerra dos Balcãs ou pelo apoio expresso de um jogador à Ucrânia em meio a um conflito contra a Rússia. Agora, na final, parte da imprensa mundial lembra as relações entre um segmento forte do nacionalismo croata e o nazi-fascismo.

Em meio a tudo isso, o irmão de um dos maiores símbolos nacionais croatas assiste a tudo de longe e contrariado. Técnico da seleção brasileira de basquete, Aleksandar Petrovic agora vive em Campinas e assiste à Copa do Mundo com transmissão em português, para aproveitar para se familiar melhor ao novo idioma. Irmão de Drazen Petrovic, ídolo do basquete morto em plena Guerra dos Balcãs e orgulho do povo croata, o treinador foi procurado pelo Olhar Olímpico para diversos temas relacionados à Copa do Mundo e as polêmicas em torno dos países que já foram parte da Iugoslávia.

Deixou claro que, na opinião dele, nada disso deveria estar relacionado ao esporte. "De política não quero falar muito, porque acho que isso não tem lugar em estádios e quadras", afirmou ao blog, por e-mail.

Vale recapitular: primeiro, dois jogadores da Suíça, ambos do origem kosovar, comemoraram gols contra a Sérvia fazendo o símbolo do povo albanês, a águia de duas cabeças. Em meio à polêmica, o presidente da federação sérvia reclamou da arbitragem e aproveitou para defender líderes sérvios condenados por genocídio. Todo mundo foi punido, inclusive a federação multada, porque torcedores usaram jaquetas em homenagem a outro líder genocida.

A Croácia, diretamente envolvida no conflito dos balcãs, estava quieta no canto dela, até que o zagueiro Vida comemorou a vitória sobre a Rússia com uma saudação em homenagem à Ucrânia, onde jogou boa parte da carreira. Foi o suficiente para uma escalada de críticas aos croatas e, principalmente, a ele.

Surpresa

Na entrevista ao Olhar Olímpico, Petrovic revelou que prefere acompanhar os jogos sozinho, para sofrer sozinho. Parte da competição ele assistiu junto com o restante da seleção brasileira, concentrada para jogos da janela das Eliminatórias da Copa do Mundo de Basquete.

"Foi muito divertido quando o Brasil ganhou do México. Quando o Brasil perdeu para a Bélgica estava na minha casa e sofri porque esperava que o Brasil vencesse", contou.

Petrovic também revelou que não esperava ver seu time chegando tão longe. "Em momento algum eu pensei que a Croácia pudesse chegar à final. O primeiro objetivo era passar pela fase de grupos. Nas jogos eliminatórios a Croácia melhorou mas ainda assim sofreu muito para chegar à final. O país está parado, esperando a partida final de domingo".

O treinador de basquete disse ainda estar "impressionado" com o apoio dos torcedores e com a organização da Rússia. "Não há violência nas partidas e só há coisas positivas."

Ele fez questão de afirmar que três jogadores em particular chamaram sua atenção: Modrić, Mbappe, Griezman.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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