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Brasileirão Feminino perde único patrocinador e não terá transmissão na TV

Demétrio Vecchioli

03/05/2018 04h00

(Cezar Magalhães/ALLSPORTS)

Depois de cinco anos, chegou ao fim o patrocínio da Caixa Econômica Federal ao Campeonato Brasileiro Feminino. A competição teve início na semana passada sem nenhuma placa publicitária nas laterais dos gramados e sem exibição na TV. Patrocinadora única em todas as edições do torneio até aqui, o banco estatal decidiu não renovar o aporte de R$ 10 milhões, destinado à agência Sport Promotion, dona dos direitos sobre a competição e responsável por organizá-la. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porém, não deverá deixar a parceira no prejuízo e vai se responsabilizar pelos custos. Como a geração de imagens era financiada pelo dinheiro do patrocínio, por enquanto não há previsão de transmissão dos jogos.

Esta é a sexta edição do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol. Em 2013, partiu do Ministério do Esporte a proposta de organizá-lo. Recém-empossado secretário nacional de futebol, Toninho Nascimento levou a oferta até Marco Polo del Nero em São Paulo, logo após o carnaval. Era o início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e a Caixa recebeu a responsabilidade de garantir financeiramente a competição, dando visibilidade e valorizando o futebol feminino.

Quase 90 dias depois de receber a garantia que o governo, por intermédio da Caixa, financiaria o torneio, o então presidente da CBF, José Maria Marin, assinou uma outorga concedendo à Sport Promotion os direitos exclusivos de produzir, promover e comercializar as propriedades dos campeonatos de 2013, 2014 e 2015. Depois, essa outorga foi renovada por outras duas edições. Em cinco anos, a Caixa repassou R$ 50 milhões à Sport Promotion, que também monetizou o torneio com venda de direitos de transmissão, inclusive para a TV Brasil, do governo federal. A CBF sempre defendeu que não tem interesse em receber recursos públicos, que assim chegavam ao torneio por intermédio da agência parceira.

A reportagem do Olhar Olímpico acessou as prestações de contas da agência à Caixa graças à Lei de Acesso à Informação. E observou que, nos três primeiros anos, a Sport Promotion só precisou prestar contas de 55% do que recebia, apresentando especialmente notas fiscais de contratação de agências de viagem, mas também ajudas de custo de até R$ 10 mil por clube por partida e contratação de serviços de produção de imagem e transporte de placas publicitárias.

Nos dois campeonatos seguintes, a única exigência era demonstrar que as contrapartidas do contrato foram entregues, com o logo da Caixa nas camisas dos times e nas placas de publicidade (10 por jogo), além de exibição de partidas ao vivo na TV fechada. O Olhar Olímpico já fez reportagem sobre as prestações de contas de patrocínios esportivos de bancos públicos, vale ler.

Em 2018, porém, o futebol feminino não faz parte do planejamento estratégico do banco, que optou por não assinar novo contrato de patrocínio com a agência, ainda, ao Olhar Olímpico, o banco tenha admitido que estuda uma nova proposta feita "recentemente". A falta de atualização no valor de R$ 10 milhões ao ano vinha incomodando a agência, que pedia um aumento. A CBF e Sport Promotion não divulgam detalhes do contrato entre elas, alegando se tratar de uma relação entre duas empresas privadas, mas ambas confirmam que continua válido o contrato no qual a agência é apontada como responsável pelos custos do torneio.

O próprio regulamento do torneio de 2018 deixa isso claro quando aponta que, para reembolso, os clubes e federações devem apresentar suas notas fiscais "à empresa Sport Promotion, agência operadora da competição, após analise da CBF". Sem detalhar quem paga a conta, o regulamento garante aos clubes passagens rodoviárias até distâncias de 500 km e passagens aéreas para além disso, sempre para delegações de até 25 pessoas, além de cobertura das despesas de alimentação e hospedagem para os times visitantes. Por jogo, o visitante receberá R$ 5 mil em ajuda de custo e o mandante R$ 10 mil.

Sem patrocínio, a Sport Promotion teria que bancar a competição com recursos próprios, o que não vai acontecer.  Após uma série de reuniões, ficou decidido que a CBF vai arcar com esses custos, não só da primeira divisão, mas também da segunda. Questionada sobre suas responsabilidades sobre o torneio, a Sport Promotion apenas disse em nota que o campeonato "está sendo realizado no mesmo formato do ano passado".

Por enquanto, também não há previsão de transmissão em TV aberta ou fechada. Até o ano passado, cabia à Sport Promotion a produção e cessão de imagens do campeonato, uma vez que fazia parte do acordo com a Caixa a exibição de um número mínimo de partidas.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.